Difícil conciliar o sono após uma semana dormindo nos seus braços…

Saber que cada centímetro da sua pele, que é tão minha, está tão distante. Saber que a sua boca, minha boca, nossas bocas, estão afastadas pela rotina, pela vigília. Pela vida.

É difícil viver sem seu sorriso, sem seu carinho, sem seu amor, que é tão meu, tão nosso.

É difícil viver com essa saudade, tão minha, tão sua, tão nossa…do meu amor tão seu, da solidão que é minha, do abismo que é a vida.

( Eu poderia mentir e dizer que sempre soube. Pior, eu fui descobrindo aos poucos que não podia mais viver sem você. Não posso. Não quero. Simples. Perfeito. Pra sempre. Feliz “aniversário”. Que venham mais 2,3,4, 100 anos. Ao seu lado, nunca será suficiente.)


No clima das listas…

Como qualquer ser humano que nasceu em setembro, tenho mania de listas. Infinitas, incompletas, de mercado, de livros de coisas para fazer… e, como não poderia ser diferente, de discos. Na verdade, a ideia veio do blog da gabi e, como também não poderia ser diferente, surgiu do fato de eu discordar de algumas escolhas e de sentir necessidade de falar sobre o meu playlist de 2009.

O ano acabou, fato, mas aqui estão os discos que entraram pro repeat do meu Ipod…

1) Sean Lennon- Friendly Fire

Sim, é ele, o filho do homem. O filho do meu beatle favorito. O disco é de 2006, eu sei, mas só peguei esse febre ano passado, não sei se do Marcelo ou da Gabi, que, na época, ouviam o disco no repeat o dia inteiro. Baixei, ouvi, ouvi de novo e uma semana depois só dormia depois de cantarolar junto todas as canções do “Friendly Fire”. De “Dead Meat” a “Falling out of Love”, passando por “Parachute” e “Spectacle”, o disco é uma pérola, com claras influências do falecido Elliot Smith.

Aqui está o link para o download:  http://rapidlibrary.com/download_file_i.php?file=10469710&desc=Sean+Lennon+-+Friendly+Fire+2006++.rar

2) Keren Ann – Keren Ann

Nascida em Israel, criada na França, a moça é autora de um dos discos que eu mais ouvi antes de dormir na vida. Líquido, redondo, perfeito, composto por melodias suaves e letras de bom gosto, devo confessar que me foi apresentado pelo André. Ouvi tanto que as quase 800 execuções que tenho no last.fm são apenas desse álbum. Detalhe: ela deve ter mais uns cinco, dos quais uns três são cantados em francês.

Aqui está o link para download: http://rapidshare.com/files/116409936/KerenAnn-KerenAnn.rar

3) Florence + the Machine – Lungs

Lançado ano passado, o disco da britânica florence causou um pequeno furor na cena musical. Esquisito, formado    por melodias  estranhas, mas que não desgrudam, o disco é interessante, apesar de sua coesão estranha. Detalhe para “Kiss with a fist” e “Drumming Song”, canções que mostram que ainda existe vida além das “beyonces” e “rihanas” da vida.

Aqui está o link para o download:  http://rapidshare.com/files/342143417/florence_-_lungs.zip.html


4) Coralie Clément – Salle des pas perdus

Francesa, magra e charmosa. Não estou falando da primeira-dama, mas da Coralie, que, graças também ao André, entrou definitivamente pro meu playlist, seja noturno ou diurno. Mais criativa e melodiosa que Charlotte Gainsbourg, na minha opinião, Coralie é a música francesa que deveria ser exportada.

Aqui está o link para download:http://rs314.rapidshare.com/files/86759462/Coralie_Clement-Salle_Des_Pas_Perdus_jingnanfox_blogspot_com.rar ( Créditos para o blog alheio!)

5) Emily Jane White – Dark Undercoat

Esse foi o disco da virada, mais uma vez, plagiado do playlist do meu namorado. Nítidas influências de folk e uma certa sonoridade que ecoa aquela Cat Power da primeira fase, o disco de Emily Jane White é conciso, coeso e bonito. Vale a pena ouvir com cuidado, em especial “Bessie Smith” e “Dagger”.

Aqui está o link para download: http://www.mediafire.com/?4jtjziam3td

Faixa Bônus: Como todos podem ver, houve uma predominância do sexo feminino no meu playlist do ano passado. Por isso, deixo de brinde um vídeo da minha musa, Fiona Apple:

Porque ela é a única que, até hoje, arrepia meus pelos do braços quando canta ” Why try to change me now…”

Crepúsculo

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sim, eu assisti. Não li, mas passou no Telecine e eu sempre estou em quase na quarta-feira à noite, sobretudo se o André estiver trabalhando.

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E aí?

Bem, sobre o filme…

…é legal. A trilha sonora é boa. Os efeitos especiais ( para uma trekker de plantão como eu) são meio toscos.

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Se fosse só isso, como explicar o frenesi causado pelo filme? A resposta é a seguinte. A moça entende de literatura. É nítido. Toda a sedução do filme se baseia, ao contrário do que é pregado pela mídia, não em um amor impossível e piegas até não poder mais, e sim em uma coisa muito, mais muito antiga que já foi mais do que tematizada não só pela literatura ocidental, mas acho que pela literatura universal: o desejo de possuir o objeto amoroso. Não possuir no sentido carnal, e sim tendo o carnal como símbolo máximo da totalidade do ser. O vampirinho-nov0-galã-da-moda quer engolir a amada. Ele não quer só ela, ele quer devorá-la. Não por ser um vampiro, o óbvio ululante, mas por ser um romântico dos mais incorrigíveis. A cena em que os dois se encontram pela primeira é o primeiro passo na direção de um latente e camoniano “transforma-se o amador na coisa amada”. Claro, o galã vira mais humano por causa da mocinha que, por sua vez, quer virar um vampiro para acompanhar o amado em sua jornada imortal. Sem contar no fato de que viver para sempre é a utopia de todo amor, seja na memória, seja na matéria. Logo, por que não permanecer na imperfeição da carne vivendo o paraíso do espírito?

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Isso me lembra uma coisa que já tinha escrito aqui anteriormente. Continuamos querendo amar desesperadamente.

Todos nós, até a menina do “Crepúsculo”, que, pelo que eu entendi da chamada do GNT, está namorando seu companheiro de elenco.

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Só quero deixar claro qur não vou assistir “Lua Nova” no cinema…

Eu ainda estou escrevendo uma certa dissertação…

Voltando…

Depois de um longo e tenebroso inverno…ninguém aguenta mais essa expressão maldita ( momento comentário inútil: ela é oriunda de um poema que conta a história de um cachorrinho que é, sei lá, acho que expulso de casa e depois volta…mas esqueci o nome do autor.Essa interrupção foi delicadamente oferecida pelo professor Antonio Carlos Secchin e suas maravilhosas aulas de Literatura Brasileira!) .

Esqueci o que eu ia dizer, mas acho que o motivo mesmo era dizer que voltei…não de viagem, mas, quem sabe, à ativa.

Quem quer saber? Esse blog só tem, atualmente, dois leitores. http://valiumsky.wordpress.com/ e http://meujazz.wordpress.com/. Dois preguiçosos, talentosos e pessoas que eu amo muito. Bem, acho que o Rafael não vai sentir ciúme se eu disser que amo mais o André.

Aliás, eu amo tanto o André que o blog é só sobre ele. Não tem nada mais interessante na minha vida do que escrever sobre ele ( e falo sério, essa vida de mestranda é bem desinteressante.Não que o André seja interessante porque minha vida não o é, mas enfim…).

Sempre acontece isso. Isso o quê?

Acho que nada, pois no fundo só é alguma coisa na minha cabeça, certo?

Bem, eu tenho mais uma coisa a dizer. E isso é talvez a coisa que mais tenha fudido com os meus miolos nesses últimos 21 meses, mais ou menos. Me lembro, há muito tempo atrás, de ter tido uma conversa sobre isso com a Kathe. Algo nos idos de 2005, quando ficamos amigas. A questão era: O que fazer quando encontrar o amor da sua vida?

Coisa de mulherzinha, né? Lembro que ela me disse, na época, que o que mais a incomodava era a sensação de já ter acertado na primeira. Normalmente, as pessoas não acertam na primeira. Alguns nem mesmo acertam. Acredito que a maior parte da população do mundo esteja se debatendo nessa busca tão pouco bem-sucedida.

Isso incomodava a Kathe, me lembro, estar observando o resto da humanidade na margem do rio, bem sequinha e bem acompanhada, enquanto a grande maioria de debatia até o inevitável afogamento.

E onde eu entro nisso? Lembro que estava num relacionamento que me dava uma certa segurança, coisa que eu achava que era o verdadeiro amor, pois meu demônio pessoal sempre foi o da insegurança. Mas fiquei com a pulga atrás da orelha, querendo saber como ela tinha certeza e o que dava essa certeza. Seriam aqueles passarinhos no estômago e outras cafonices-de-comédia-romântica-sessão-da-tarde?

Passou o tempo daquele relacionamento, chegou o tempo do André. E eu fiquei idiota, mais do que nunca, andando por aí rindo sozinha ( o que para um ser humano normalmente rabugento feito eu era uma verdadeira conquista), contando os minutos e os segundos que nos separavam. Chorava de saudade, de amor, chorava à toa, vendo Grey’s anatomy, vendo qualquer filme, até V de Vingança.

Foi aí que eu entendi a Kathe. O que fazemos quando encontramos o amor de verdade? Porque, sinceramente, amor se encontra em cada esquina, eu tive os meus, o André os dele. Mas aquele que você quer levar pra vida, pra Roma, pra Paris, pra todo lado é um só, é único e, talvez por isso, primeiro. Porque depois dele, só vai haver mais e mais dele. E o que veio antes? Nada veio antes. O amor, que muitas pessoas passam a vida esperando, é o que faz toda a espera e toda a decepção valer a pena. Eu sei que isso soa piegas e antiquado, mas quem acha que é piegas e antiquado é porque ainda não achou o seu. Paixões temos milhares, mas só com uma pessoa você vai querer dividir um banheiro, uma cama e o nome dos filhos.

Nem sei mais aonde eu queria chegar, mas acho que, sem saber, cheguei. Acho que só queria dizer que eu sei. Eu sei que é você. O blog é sobre você porque minha vida começou em você. Nunca fui tão feliz, mesmo quando pareço infeliz. Só penso na sorte de ter te encontrado agora e não no asilo. Mais do que isso, o tempo inteiro, eu só penso em você, meu projeto de auto-sabotagem, meu fim de semana perfeito, minha companhia de sonhos e viagens ( e viagens em sonhos). Vocé é meu. É perfeito. Mais do que isso, é perfeito porque é meu, porque me completa. Porque faz minha vida valer a pena.Te amo.


Listras

Gratuito e aleatório

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Bem, esse talvez devesse ser o título do blog, afinal de contas, nada aqui faz muito sentido. Mas como eu também não faço, fica fácil de entender o porquê. ( do quê? ah, whatever…)

Passei os últimos quinze minutos pensando em tentar escrever um fragmento, digamos assim,.. erótico. Algo que pudese expressar, com toda a imperfeição da linguagem, aquilo que vivemos no corpo, na permanência da fugacidade. Claro que não consegui, aliás, nem tentei, só pensei mesmo. Foi quando meu lado mulherzinha aflorou sério e eu achei que uma imagem valeria mais do que qualquer coisa que eu pudesse escrever.

Eu sei que Grey’s Anatomy já está mais batido que calça jeans por aí, mas toda vez que vejo essa reprise na Sony, em qualquer horário, não consigo segurar uma lágrima ou outra. Talvez porque, a ficção que me perdoe, eu sei exatamente como é sentir o ar faltando nos pulmões de puro amor (é, me perdoem pelo clichê também).  Além disso, resolvi postar o vídeo porque, mais do que o MacDreamy ( hehehe), acho que coisas bobas como um seriado podem devolver a esperança de encontrar o verdadeiro amor. Eu sei, é bobagem. Mas tudo que nos dizem por aí é que é bobagem, que não existe e que o número de divórcios aumenta a cada dia. Então, por que continuar procurando? Essa deveria ser a lógica,…mas não é o que vemos. Todo mundo continua casando, juntando, namorando, separando, voltando, tentando de novo.

Bem, acho que o que eu realmente queria dizer é que pequenas coisas como um seriado podem nos lembrar que o amor existe, que é uma coisa boa, algo para a qual devemos querer retornar no final do dia. Lembro de ter visto esse episódio e ter ido dormir cheia de mimimis, pensando se algum dia iria encontrar meu Patrick Dempsey ( e isso que na época eu namorava outra pessoa, mas…quem liga?) . Só digo que agora cada um dos poros da minha vida é saturado de amor.

Sobre fazer aniversário…

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…é, sempre fico assim nessa época do ano. Acho que escrevi isso em todos os milhões de blogs que tive durante esses ( agora já posso dizer ) longos 25 anos. O tempo passa, mas a bad trip do aniversário é a mesma, sempre a mesma: mais um ano pelo ralo e meus planos cada vez menos concretizados. Será? Talvez…

Bem, talvez nem tanto. Lembro que muitas coisas que eu sempre desejei não pareciam fazer muito sentido quando eu me imaginava sozinha. Sim, fato que eu sou ( ou fui, enfim) compulsiva por relacionamentos durante alguns anos da minha vida. Aí o tempo passou, as decepções ( e os clichês) vieram. Passei muito tempo sozinha planejando ficar ainda mais. Não queria mais compartilhar do plano coletivo do resto do mundo, casar-tomar-jeito-ter-filhos-plantar-uma-árvore-escrever-um-livro. Confesso que a árvore e o livro me pareciam bem mais interessantes que os outros .

Entrei para a faculdade, os planos ganharam forma, tomaram cor. Encontrei a vida que eu sempre quis levar. No meio disso, conheci uma pessoa.  Reconsiderei a solidão e lá se foram 4 anos. 4? Eu ainda me pergunto. É, acho que sim. Em meio a tudo de errado que duas pessoas tão diferentes possam querer, ele fazia planos por mim. Resolveu anos e anos da minha vida em meia hora e duas coca-colas, escolheu nome de filhos, me comprou uma aliança. E não me perguntou se eu queria. Fui levando, empurrando, cobrindo a cabeça com o lençol, até que você apareceu. Sim, você, a única pessoa que lê esse blog. Aliás, a única pessoa para quem eu escrevo. Ou sobre quem eu escrevo ( ou sobre quem vale a pena escrever). Dei descarga naquele relacionamento falido ( ou nós demos, enfim) e (re)comecei a me descobrir como pessoa. Afinal de contas, a vida era minha e ninguém ia resolver ela por mim. Só eu. Voltei a rir, a me olhar no espelho, a ficar nervosa antes dos encontros ( confesso que ainda fico), mas isso não é nem a metade.

Você me devolveu a vontade de viver. Me fez ver que planos são as páginas em branco que escreveremos juntos. Ou que estamos escrevendo, sempre em dupla.

Agora, o que tem o meu aniversário a ver com isso? Bem, pouco, na verdade. O que eu ia dizer antes de tanta divagação é que, há 10 anos atrás, eu me imaginava de diversas maneiras no que seriam os dias de hoje: adulta, emancipada, bem-resolvida, bem-sucedida. Nunca como estou hoje: feliz. Simplesmente feliz. Aos 25 anos, você é o responsável mais direto pelo jardim que virou meu coração ( e pelo clichê que virou esse blog)…=)

Pensando assim, que venham os 30…

Amor…

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I’m Not Calling You a Liar

Florence And The Machine

I’m not calling you a liar, just don’t lie to me
I’m not calling you a thief, just don’t steal from me
I’m not calling you a ghost, just stop haunting me
And I love you so much, I’m gonna let you kill me

There’s a ghost in my lungs and it sighs in my sleep
Wraps itself around my tounge as it softly speaks
Then it walks, then it walks with my legs
To fall, to fall, to fall at your feet

There but for the grace of God go I
And when you kiss me, I am happy enough to die

I’m not calling you a liar, just don’t lie to me
And I love you so much, I’m gonna let you
I’m not calling you a thief, just don’t
And I love you so much, I’m gonna let you
I’m not calling you a ghost, just stop

There’s a ghost in my mouth and it talks in my sleep
Wraps itself around my tongue as it softly speaks
Then it walks. then it walks, then it walks with my legs
To fall, to fall, to fall, to fall
To fall, to fall

To fall, to fall, to fall, to fall,
to fall, to fall, at your feet

There but for the grace of God go I
And when you kiss me, I am happy enough

Dissertação mode on

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Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges

Borges e eu

Ao outro, a Borges, é  a quem sucedem as coisas. Eu caminho por Buenos Aires e demoro-me, talvez já mecanicamente, na contemplação do arco de um saguão e da cancela; de Borges tenho notícias pelo correio e vejo o seu nome num trio de professores ou num dicionário biográfico. Agra­dam-me os relógios de areia, os mapas, a tipografia do século XVIII, as etimologias, o sabor do café e a prosa de Stevenson; o outro comunga dessas preferências, mas de um modo vaidoso que as converte em atribu­tos de um actor. Seria exagerado afirmar que a nossa relação é hostil; eu vivo, eu deixo-me viver, para que Borges possa urdir a sua literatura, e essa literatura justifica-me. Não me custa confessar que conseguiu certas páginas válidas, mas essas páginas não me podem salvar, talvez porque o bom já não seja de alguém, nem sequer do outro, mas da linguagem ou da tradição. Quanto ao mais, estou destinado a perder-me definitivamen­te, e só algum instante de mim poderá sobreviver no outro. Pouco a pouco vou-lhe cedendo tudo, ainda que me conste o seu perverso hábito de falsificar e magnificar. Espinosa entendeu que todas as coisas querem perseverar no seu ser; a pedra eternamente quer ser pedra, e o tigre um tigre. Eu hei-de ficar em Borges, não em mim (se é que sou alguém), mas reconheço-me menos nos seus livros do que em muitos outros ou no laborioso toque de uma viola. Há anos tratei de me livrar dele e passei das mitologias do arrabalde aos jogos com o tempo e com o infinito, mas esses jogos agora são de Borges e terei de imaginar outras coisas. Assim, a minha vida é uma fuga e tudo perco, tudo é do esquecimento ou do outro.

Não sei qual dos dois escreve esta página.

=~~ lindo, né?

Quebra-cabeça

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Você diz que gosta de quebra-cabeças. Eu não. Nunca gostei. A pacência acabava pelo meio, a mão ansiosa bagunçava a figura meio montada e jogava tudo de volta na caixa.

Tem pouco tempo que eu descobri porque não gosto.

Minha vida é um quebra-cabeça. Passo a maior parte das horas tentando descobrir onde encaixar a próxima peça. Nunca sei, você sabe como sou indecisa. Às vezes, tenho uma ideia, empurro as peças que creio já assentadas, acotovelando partes para acomodar mais uma. Não. É nesse ponto que eu descubro que cada peça é um pequenino universo de outras tantas pequeninas peças, estendendo assim ao infinito minha tarefa de Penélope.

Bem,…menos você.

Cada fragmento do meu corpo esteve desde o princípio preparado para receber você. Minhas arestas encaixavam co nas suas, as imperfeições se completavam. A cada toque dos seus dedos eu descubro como meu incerto mosaico possui um equílibrio tênue, incompleto.

Só que isso deixou de importar, no entanto.

QuebraCabeca

Só importa agora que você é a peça que me completa, mesmo quando as outras faltam, ou quando apenas resvalam sem encaixar. O quebra-cabeça pode esperar, inacabado. Eu finalmente encontrei a caixa para guardá-lo.

Dessine-moi un mouton?

“Dessine-moi un mouton?”
J’ai six ans. Toi, t’as déjà 25, l’âge que tu avait quando nous nous sommes rencontrés pour la première fois.
Je viens de lire le Petit Prince. Toi, t’es déjà à la fac, t’as un paque de cigarrette, le portable. Je ferme mes yeux, je t’embrasse.
J’ai alors 14 ans. Je suis une ado comme les autres. Je déteste ma vie, je suis toujours dans la bibliotèque.
“Dessine-moi un mouton?”
Tu m’embrasse, je suis encore très petite à ton cotê. T’es encore 25, le même sourire.
J’ai 23 ans. Je suis à la fac. Je suis encore petite.T’es 25. Je demande:
“Dessine-moi un mouton?”
Tu ne réponds pas, nous sommes à la classe. Tu souris et dit:
“Oui, je te dessine un mouton.”
J’ai attendu toute ma vie pour écouter cette réponse. Et n’était pas à cause du mouton.

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