Após a enxurrada de comentários motivados – não unicamente, claro – pelo último post, venho por meio deste responder algumas pendências e tentar, por fim, me fazer entender. Claro, porque meus planos para o blog incluíam uma resenha de Carvão Animal, e não uma reiteração de coisas que eu acreditava já estarem mais do que claras.
Bem, vamos por partes: o que acabou se tornando o tornando o pivô da discussão foi o livro (ainda não publicado) de autoria de Thiago Luz. A obra em questão, denominada “Bravo! Quando os homens se tornam heróis”, serviu como mote para uma reflexão sobre os rumos da ficção contemporânea brasileira. Minhas opiniões não foram bem recebidas pelo autor do livro, nem por um homônimo de sobrenome Póvoa, que também surgiu em defesa de uma “suposta” literatura pragmática. Sim, claro, após ter respondido ambos, qual não foi minha surpresa ao ver que o autor em questão destilou, no último de seus comentários, um rancor ácido e despropositado contra a minha pessoa. Em momento algum havia eu sido descortês ou mal-educada, apenas, como enfatizei desde o princípio, não gostei em absoluto do livro. Afirmo até que, na atual conjuntura e baseado na versão que li o que se encontra ali está mais próximo de um roteiro do que de um livro.
(Enfim, faço aqui também uma ressalva. Não tenho nada pessoal contra você, Thiago, e sinceramente esperava que uma pessoa em vias de publicar um livro fosse ter uma recepção completamente diferente da opinião sincera de uma especialista. Devo lembrá-lo que publicar um livro, lançar um disco ou mesmo estrelar uma peça teatral é exibir sua produção pessoal para a avaliação pública. Logo, o que eu fiz aqui não difere muito do que o aguarda na materialidade da obra publicada.)
Acredito que, também, parte da revolta se deve ao fato de ter afirmado que havia achado a obra um tanto quanto conservadora. Sim, porque o que faz um livro ser politicamente incorreto não é violência ou vocabulário de baixo calão, mas conteúdo. Devo, mais uma vez, lembrar que Nelson Rodrigues, até hoje conhecido pela imoralidade de suas narrativas, nunca empregou um único palavrão. O que vi foi uma manifestação daquilo que Marcelo Rubens Paiva expressou magistralmente em seu blog do Estadão: “A onda agora é ser bem REAÇA”. Aliás, vou até me furtar a desenvolver qualquer tipo de comentário, mas digo que endosso cada palavra de Rubens Paiva, que acredito que a maioria daqueles que defendem a liberdade individual também são os mesmo que apoiaram (e apoiam) as repressões às manifestações populares.
Chego, enfim, ao ponto nevrálgico dessa reiteração: Qual é a tarefa da crítica? Ou como devem preferir os revoltados, ou reaças de plantão, crítica pra quê?
Claro, se cabe ao tempo separar o que presta e o que não presta, o que fazem os críticos, esses recalcados sem coração que não tem coragem suficiente de escreverem seus próprios livros, comporem suas próprias músicas ou dirigirem seus próprios filmes?
Respondo, humildemente, em nome da classe: Fazemos o trabalho sujo. Parafraseando uma das minhas musas inspiradoras, Flora Süssekind, digo que é a crítica que alimenta a discussão, que é capaz de mostrar o que há nas entrelinhas de uma obra. Sim, quando de fato há algo nas entrelinhas. E quando nos levantamos e dizemos que algo é raso, ou que não suporta o menor peteleco teórico, somos monstros. Não nego, confesso que uma parte de mim até gosta da demonização da figura do crítico. Só preciso deixar uma coisa bem clara, de uma vez por todas: a tarefa da crítica é, sem dúvida, uma escolha. Os maiores teóricos da literatura brasileira não são escritores frustrados, da mesma maneira como não foram Roland Barthes, Paul Válery, Theodor W. Adorno, apenas para citar alguns dos que me acompanham do café-da-manhã ao jantar. Somos – me incluo, mais uma vez, humildemente ao lado de tais antecessores – leitores. Não meros leitores de folhetim, consumidores de best-sellers, auto-ajuda, Harry Potter, Crepúsculo ou qualquer coisa que possa andar na moda.
Mais uma vez, recorro à Flora Süssekind para corroborar meu ponto de vista:
Fabricam-se nomes e títulos vendáveis, vende-se, sobretudo o nome das editoras, e sua capacidade de descobrir “novos talentos” semestralmente, ao sabor das feiras literárias. E, nesse sentido, formas dissentâneas de percepção, como a crítica, se mostram particularmente incômodas. Formas personalistas e estabilizadoras, ao contrário, se esvaziadas, parecem continuar benvindas. Se adotado o perfil do colunista que “sabe ficar no seu lugar”, que funciona, com voz opiniática, e sem maiores tensões, como moldura quase invisível, inconsequente, para o que o mercado editorial ou o próprio veículo quiser referendar. Se desse lugar sem qualquer ressonância não houver condições reais de intervenção, formulação de questões relevantes e expansão do mínimo espaço público talvez ainda disponível para um exercício crítico que não se confunda inteiramente com busca de prestígio ou com um guia de consumo. Talvez seja necessário, na discussão de um espaço ainda crítico para a crítica, matar mais uma vez Wilson Martins. Já que sua transformação em imago exemplar parece expor inequívoca vontade de retorno a algo próximo à tradição das Belas Letras, a um regime estável e hierarquizado de vozes e gêneros, a regras fixas de apreciação e prática textual, a um apagamento de novos espaços de legibilidade, espaços ainda não demarcados ou nomeados, e sugeridos por formas de compreensão expansivas, e não exclusivas, do campo da literatura. Um desejo de reierarquização e pureza que não parece sem sintonia com o temor de um universo sóciopolítico menos hierarquizado, com a expansão meio informe de uma classe média cujo imaginário não parece ultrapassar uma coleção inesgotável de bens de consumo. E com uma extraordinária expansão das práticas digitais de escrita, acompanhada, paradoxalmente, no entanto, de uma quase invisibilidade coletiva dessas manifestações, de um encolhimento quase ao absurdo da esfera pública.
Idealismo acreditar que meu pobre texto, alvo de tantos comentários que parecem ignorar solenemente seu conteúdo poderia encontrar abrigo na retórica sofisticada daquela que é, na minha opinião, vejam bem, na minha opinião, uma das maiores intelectuais brasileiras, capaz de analisar não apenas seu local de enunciação, mas a reverberação de suas declarações e a cena literária tupiniquim como um todo. Nesse caso, sem problemas, explico objetivamente o que está contido no fragmento supracitado: a inexpressividade da literatura brasileira parece estar também intimamente relacionada à tarefa incômoda do crítico literário. Por isso, de uns tempos pra cá, pudemos observar uma espécie de retorno à crítica elogiosa, ao posicionamento que não causa desconforto, ao que ela denomina de formas estabilizadoras. A crítica não deve ter como função a estabilidade, e sim a instabilidade, a intervenção, a transgressão. Sim, pois seu dever, como ofício advindo da literatura, é dialogar com a expressão artística mais desafiadora de todas. Mais uma vez, a hipérbole anterior é por minha conta e risco, por mais que veja outras formas de arte como a pintura e o cinema como também sendo capazes de tentar traduzir o camoniano desconcerto do mundo, ainda acredito que usar algo tão desgastado como a linguagem para fugir do comodismo da sociedade de consumo é um desafio ímpar.
Se até o presente momento ainda não me fiz clara o suficiente, escolho recorrer a mais um dos pilares de nossa teoria literária, Antonio Candido, na citação de Fernandes Pinheiro, que abre Introdução à literatura brasileira:
os homens têm quase as mesmas ideias acerca dos objetos que estão ao alcance de todos, sobre que versam habitualmente os discursos e escritos, constituindo a diferença na expressão, ou estilo, que apropria as coisas mais comuns, fortifica as mais fracas e dá grandeza às mais simples. Nem se pense que haja sempre novidades para exprimir; é uma ilusão dos parvos ou ignorantes acreditarem que possuem tesouros de originalidade, e que aquilo que pensam, ou dizem, nunca foi antes pensado, ou dito por ninguém.
O rascunho que havia começado para ser o próximo post também explorava essa ideia, mas pelo viés do mestre argentino Jorge Luis Borges, quando ele afirma que a literatura do mundo pode ser resumida a três ou quatro obsessões. Não, não temos nada de original a compartilhar, não podemos ter essa ilusão. A única coisa que pode salvar um livro da superficialidade é, ironicamente, a crítica ou, ainda, a autocrítica.
Para finalizar, irei me dirigir diretamente aos dois Thiagos que tanto ficaram desconfortáveis com minhas afirmações. Não estou escrevendo isso pra convencer ninguém, cada um que sabe de si, para usar uma imagem oriunda da sabedoria popular. Falo, com bastante orgulho, do meu local de enunciação, pois trabalhei bastante para chegar até aqui. Por trabalhei, entendam: li bastante. Li, sem sombra de dúvida, muito mais livros do que ambos juntos. E assumi o ofício de crítica não como uma escritora frustrada, mas como uma leitora apaixonada. Não tenho vergonha de ser taxada de intelectual, pelo contrário. Acho que num país de degredados que sempre fomos, intelectuais são de extrema necessidade. Somos nós que pensamos a sociedade, que escrevemos e que refletimos sobre o que acontece. E sim, no passado, também fomos nós que pegamos em armas e lutamos pela liberdade que hoje temos.
Ah, claro, quanto a “ser uma professora e querer ensinar sobre rock and roll”, fiquem sabendo que sei muito sobre rock, sobre música, que já fiz tudo que todo mundo fez: estudei, fiz aulas, tive bandas, mas abri mão porque não era isso que me fazia feliz. Em momento nenhum resumi o gênero que marcou o século XX ao trinômio “sexo, drogas e rock n’ roll”. Afirmei, e reafirmo, que rock é transgressão, insubmissão e não aceitação dos padrões impostos, coisas que, como também havia afirmado antes, não se encontram nas páginas do seu livro, Thiago. Jornada de superação pessoal, monogamia extremada e valorização da moral não estão em consonância com o que sempre foi pregado pelo rock. Você pode citar quem quiser, até mesmo o ecochato de plantão, Bono Vox, mas isso não muda em nada o fato de que ele também está matando o rock, aliás, desde que o U2 lançou aquele disco patético na década de 90, o Pop. O fato de que hoje em dia exista essa predominância do politicamente correto não anula o caráter transgressor do rock. Aliás, acredito que o próprio Renato Russo concordaria comigo, grande fã de Ramones que era. (Se você quiser entender um pouco mais do que estou falando, leia Mate-me por favor, uma história sem censura do punk.)

Rapha,
como meu computador fez questão de me manter distante da discussão durante o fim de semana, escrevo em seu novo post para evitar correr atrás do bonde que já passou (e até porque, imagino, a discussão continuará por aqui).
Minha opinião sobre a questão é a seguinte: a literatura contemporânea vai muito bem, obrigada. Se a gente não sabe direito quais são os principais temas, problemas e autores, é porque estamos no olho do furacão, e carecemos de distanciamento histórico para considerações (e apostas) mais elaboradas sobre o que agora é “apenas” fruição – e ainda assim continuamos tentando. Difícil mesmo é saber pra onde a crítica está indo, ou mesmo se há lugar para ela nesses tempos em que um joinha virtual – indicando a ação de “curtir” – substitui opiniões elaboradas.
Como você bem disse, a nós nos cabe o trabalho sujo: revirar o texto em busca de suas difentes chaves de leitura, levantar discussões, problematizar, procurar relevâncias e apontar narizes de cera, cientes do fato de que nossa opinião, ainda que pautada por alguma ciência e muita prática é apenas isso; uma opinião.
Trabalhozinho ingrato, e mesmo assim não largamos o osso. Porque o crítico é, sobretudo, um leitor apaixonado. Talvez seja escritor também, como é o caso de muitos de nós (ou “aspirantes a”, o que dá na mesma). Trabalhar a massa a qual se chama literatura, atacá-la por todos os lados. Vivê-la e, não obstante, ser dominado por ela, que ainda é capaz de nos surpreender, emocionar e justificar uma vida inteira de obsessões.
A meu ver, a autora do texto poderia não ser doutoranda em literatura, uma vez que eu não dou a mínima para esse tipo de titulação. No entanto, tendo emitido uma opinião fundamentada e apontando apenas para o texto, e jamais para seu autor (ou a mãe, ou a avó dele), cabe à réplica a responsabilidade de manter o debate dentro do âmbito da questão ( o que não aconteceu, como pude ler nos comentários). E não digo isso porque a autora é minha amiga (o que é, antes que me acusem de estar tomando dores alheias) mas porque a falácia da desqualificação do interlocutor é atestado de imaturidade – e quem não sabe brincar não deveria descer pro play.
(em tempo: quando acabar o “Carvão Animal”, me empresta?)
Confesso que no início estava gostando de ser “apedrejado” antes mesmo da publicação (tanto que só pedi para divulgar o nome do autor e do livro). Como sou amante de uma boa polêmica (e não precise me esforçar muito para conseguir tal proeza – sempre considerei isso uma qualidade), fiz questão de alimentar o assunto, postando o link do seu blog no grupo que criei no Facebook para divulgar o “LIVRO”. Ah, depois pode me agradecer por isso, afinal nunca antes na história desse blog tivemos tantas visitas e tantos comentários, gerando debates, conflitos de ideias, etc.
Mas cuidado: está ficando pop! (logo surgirão intelectuais especializados em blogs detonando esse espaço). Sim, agora e somente agora temos um “rancor ácido”. Mas isso, lógico, tem um motivo: não gostei da forma como você se dirigiu ao meu amigo.
Bem, sua argumentação com o Thiago Póvoa me soou um pouco descortês e mal-educada sim, isso para não falar arrogante: “mas já adianto que quando você diz que falar de intelectualidade é excluir uma parcela da população parece estar falando de si mesmo” // “aconselho sinceramente que você recorra a um bom dicionário de língua portuguesa, de preferência o Houaiss, e veja as definições dos termos “ético” e “estético”, para assim, quem sabe, conseguir acompanhar o que estou propondo aqui.”
“O que vi foi uma manifestação daquilo que Marcelo Rubens Paiva expressou magistralmente em seu blog do Estadão: “A onda agora é ser bem REAÇA””… Aí complica, pois já envolve um (pré)julgamento da minha pessoa, que prossegue em: “acredito que a maioria daqueles que defendem a liberdade individual também são os mesmo que apoiaram (e apoiam) as repressões às manifestações populares”. Você não me conhece a esse nível. Achar que sou facilmente influenciado pela Veja (eu odeio essa revista!) ou que o personagem que criei defende os meus pontos de vistas é tentar me impor qualidades, defeitos, características e visões políticas e de sociedade apenas por “achismo”. Não ache que eu seja isso ou aquilo. Você só conheceu o meu personagem e o meu “LIVRO”.
“Jornada de superação pessoal, monogamia extremada e valorização da moral não estão em consonância com o que sempre foi pregado pelo rock”. Putz! Você não deve ter entendido… O cara está se “despregando” de tudo aquilo que o rock oferece – sexo, drogas, anarquia, etc. Foi parecido com o que ocorreu com o Renato (busca da sobriedade, AA, internações, etc), John Lennon (desintoxicação e “pisada no freio” se afastando da música para se dedicar à criação filho – Sean Lennon), e tantos outros. O caso mais recente foi do Rodolfo (ex-Raimundos), que largou a banda, o rock e se tornou religioso p/ se livrar da cocaína por amor à mulher (palavras do próprio).
“Não tenho vergonha de ser taxada de intelectual, pelo contrário. Acho que num país de degredados que sempre fomos, intelectuais são de extrema necessidade. Somos nós que pensamos a sociedade, que escrevemos e que refletimos sobre o que acontece. E sim, no passado, também fomos nós que pegamos em armas e lutamos pela liberdade que hoje temos”. Num passado recente, infelizmente, os “intelectuais” brasileiros eram os “filhos da burguesia”. Talvez por isso tenhamos essa merda de sociedade que temos hoje. Mas nada impede que a geração atual construa algo melhor pro futuro. Só que para isso deve se colocar ao lado do povo e da sabedoria popular, e não acima, num pedestal de soberba e vaidade. Com relação à Liberdade, é um tema interessante, levando-se em conta a Dinastia do Capital e de como as classes menos favorecidas se tornam escravas do sistema.
Com relação às teorias e ao “manual de como ser punk”, não estou interessado. Prefiro os meus “três acordes literários” e o lema “faça você mesmo”. Sobre a crítica em si, você tem todo o direito de emitir sua opinião. Se eu fosse contra isso, não teria divulgado seu blog. Não gostei da forma “violenta” como se dirigiu ao “LIVRO”, é verdade, mas ainda assim não censurei ou tentei “esconder” sua opinião. Muito pelo contrário, fui para o choque de ideias com pesssoas que gostaram do que leram (Vinicius Sombra e Thiago Póvoa). Sei bem que meu “LIVRO” pode ser surrado em praça pública, mas, como artista marcial que sou, quando entro no tatame estou sempre disposto a bater e a apanhar.
Saudações literárias,
Thiago Luz
mais uma vez, não sei porque me dou ao trabalho de responder, porque, como havia dito, achei que já tinha sido clara o suficiente. Agora, se você levou tudo que foi escrito aqui para o lado pessoal, veja bem, aconselho que você pare de extrair fragmentos das minhas opiniões e observe o texto como o que ele é: um conjunto, no qual repeti inúmeras vezes que se tratava da minha opinião. Realmente, não te conheço, e tudo que afirmei é relativo ao seu livro. Você pode afirmar que odeia a Veja, mas grande parte dos momentos em que o protagonista da obra em questão abre a boca pra falar de polítca, soa como uma espécie de Diogo Mainardi. E eu não me dirigi, em momento algum, com violência ao seu livro. Repito: é minha opinião. Se os seus amigos gostaram, fique feliz. Mas se quer que seu ponto de vista seja respeitado, respeite o meu, não saia por aí me pintando como uma espécie de Barbara Heliodora. Acho até curioso você falar do Vinicius e do seu homônimo no mesmo parágrafo, já que um foi o ápice do bom-senso e o outro o cúmulo do equívoco. Mais uma vez, repito: expor uma obra ao juízo do público quer dizer respeitar as opiniões alheias. Se eu achei seu livro ruim, isso vai mudar em algo sua vida? Acredito que não. Logo, não saia por aí pregando um discurso unilateral. Para finalizar, repito ainda mais uma vez: tudo que falei e repeti e reiteri era a respeito do livro, foi a leitura que eu fiz. Se você acha que não acompanhei seu raciocínio, talvez seja o momento se reler aquilo que você mesmo escreveu.
Abraços cordiais.
Não li o livro, nem a enxurrada de comentários e nem os dois extensos posts, mas vamos combinar… um livro que nem foi publicado e que, segundo a crítica, é uma porcaria, já causando esse palavrório todo? Quero uma edição autografada pra ontem!
Uma vez onfundida a visão do personagem com a visão do autor, como se ambas devessem rimar, e a discussão ter caminhado para além do livro ou da proposta inicial do seu post (o que acho saudável), acho natural empregarmos mais do “eu” nas conversas, não que isso seja levar para o lado pessoal ou dizer que estamos atacando a outra pessoa. Não vejo dessa forma, nem como uma divulgação unilateral da opinião, tanto é que, como você mesmo lembrou, citei o Vinicius e o Thiago, que a seu ver tiveram “desempenhos” tão diferentes no debate. Aliás fico feliz pelo debate, onde até uma amiga sua participou e emitiu sua opinião. Não vejo problema algum em opiniões diversas, afinal vivemos numa democracia, embora tal termo não seja aplicável igualmente a todas as camadas da sociedade.
Com relação a respeito, a crítica usa de uma via de mão única, sendo ácida, debochada e até maldosa na avaliação do original, mas se diz ofendida e desrespeitada com o contragolpe. Aliás, esse é o tipo de coisa que a burguesia intelectual precisa aprender: sabe criticar e detesta quando há contestação das suas “verdades”.
Ok, tempo esgotado! Não quero ocupar mais seu tempo ou o espaço deste blog. Não precisa agradecer por eu ter deixado o seu blog um pouco mais povoado, longe do “Congresso Nacional numa sexta-feira” que era antes. Sucesso para o blog e que possa gerar mais debates!
Saudações literárias,
Thiago Luz
*onde está “ofundida”, na primeira linha, considerar “confundida”.
“O que acontece, no rock, é que existem uma glorificação e uma glamourização desse tipo de comportamento, porque, por algum motivo, se acha que isso é uma coisa irreverente, rebelde e ligada à adolescência. Os artistas estão mais expostos. Chama muito mais atenção um Kurt Cobain morrer do aquele vizinho do seu prédio que morreu de cirrose. A glamourização do rock parte da imprensa.” (Renato Russo)
“Nunca vi U2, Dire Straits, Sting, Morrisey e tantos outros glamourizarem o uso de drogas. Existem milhões de artistas, mas vai todo mundo ficar falando do Kurt Cobain. Existe uma coisa mórbida que é as pessoas quererem que os artistas sejam sacrificados em seu lugar. É uma espécie de expurgo.” (Renato Russo)
Extraído do livro “Renato Russo de A a Z”, da editora Letra Livre.
Bom, pretendo encerrar minha participação neste debate com um ultimo comentário a respeito dos posts.
Fico triste por você ter tentado me “diminuir” e nem sequer ter comentado sobre isso. Um pedido de desculpas seria muito bem vindo, porque em momento algum argumentei com você desta forma.
Quer dizer a opinião do Vinicius (que ficou em cima do muro) teve bom senso? A minha opinião que foi contra ao que você escreveu foi um cúmulo de equívocos?
Então quando você faz uma critica esta não pode ser criticada? Ou não estou no mesmo nível de intelectualidade que o seu e por isso a minha critica é reduzida a equívocos?
Entenda, que não foi o fato de você ter criticado o livro, mas sim a forma que o fez, um tanto agressiva, como esta: “confesso li masoquistamente até o final” que geraram o debate que infelizmente você se mostrou despreparada para administrar. Afinal se você cria um espaço e abre para comentários, tem que estar preparada para as criticas ou você realmente foi ingênua a ponto de achar que por ser a escritora do blog, estava blindada contra criticas negativas? Seguimos então para o velho dito popular: “Pimenta nos olhos dos outros é refresco”
Concluindo, você escreve muito bem, conhece e estuda a literatura, mas talvez esses tantos atributos tenham passado do ponto e gerado uma arrogância desnecessária, que teve um ponto muito positivo: todo o debate no seu blog.
Espero que isso sirva para aprendizado, porque exatamente por meio de um livro que você não gostou e que gerou criticas que você não gostou de receber, que você hoje está tendo a oportunidade de escolher entre dois caminhos: o estereótipo do critico, sem coração, frustrado, solitário e inimigo do mundo ou a da critica sensata que expõe sua opinião de forma humana, sem que seja necessário para criticar a obra, expor comentários deselegantes que não engrandecem em nada o seu próprio trabalho. Não é porque quase todo critico faz desta forma, que você precisa fazer igual.
Pense nisso… afinal esta é uma critica construtiva.
Um grande abraço!
Ps: Acho que ficar dizendo “Thiagos” não é legal, pois o Thiago Luz é um e o Thiago Povoa é outro. Quando você uniu os dois, fez das palavras dele as minhas e vice-versa e apesar de concordar com alguns pontos que ele colocou, eu não teria me dado ao trabalho de postar, já que no fim, meu comentário em resposta ao seu foi reduzido a uma opinião só.
Crise na Gávea!
Enfim, agora que a poeira está quase baixando, entro aqui pra dar meus pitacos, mesmo que ninguém tenha me perguntado nada. Não pretendo apontar dedos aqui, vejam bem, na situação delicada em que estou, é mais provável que me defenda do fogo cruzado em que me situo.
Thiago (o Luz, meu amigo), sei que você nunca me pediu opinião sobre seu livro, por isso mesmo nunca a emiti. E isso não me faz mais ou menos leitor, como também não te faz mais ou menos escritor. Como você bem disse em seu blog, críticas não têm importância pra você. Acho ótimo. Você nunca perguntou e eu nunca respondi, mas te parabenizei quando achei que deveria, e irei ao lançamento do seu livro assim que houver data.
Só não entendi sua reação quando levou para o lado pessoal. Juro que me parece bem claro que a crítica da Rapha está direcionada ao livro (e não a você), que achou o livro conservador (e não você), e que julgou seu conteúdo (do livro, e não do autor) reacionário. E aí, é a opinião dela e isso deve ser respeitado. Acho que não preciso vir aqui dizer que respeitar não é concordar, certo? Seus leitores podem não concordar (como não concordo com alguns críticos de cinema, por exemplo), mas você não precisa vir aqui bater o pé e se defender. E isso aqui é fundamental pro restante do comentário: você está SE defendendo, mas quem está sendo criticado é o livro, não o autor. Uma vez escrito, pouco importa a autoria (a menos que falemos de uma autobiografia, o que não é o caso, né?). Então, não faz o menor sentido você bancar o ofendido, porque você, autor, em momento algum foi ofendido. Admito que a obra foi sim criticada negativamente, mas foi a obra e não você. Seu livro é que foi apedrejado, e não você. E como a crítica não lhe é importante, vida que segue (ou que deveria seguir).
Thiago (o Póvoa, aqui pra deixar claro, conforme você pediu), talvez a Rapha não tenha sido tão didática quanto deveria (acho que às vezes seu lado crítica supera o seu lado professora), mas quando se fala de forma, não se refere a gramática normativa, e sim a projeto estético, o que é muito mais profundo do que a superficialidade de regras gramaticais e suas exceções. Enfim, acho que claro está que o blog é sobre literatura, o que é muito diferente de língua. Pode até parecer a mesma coisa, mas não é; e, na verdade, soa até ofensivo para ambos os lados quando confundidos. Literatura e Língua são como Lado A e Lado B: não se misturam e brigam para afirmar sua superioridade sobre o outro.
Thiago (vou deixar no singular, mas serve para os dois), me recuso a reduzir este debate a uma luta de classes. Fazer isso é debilitar uma discussão que poderia ser mais rica. Acredito que o tema original era literatura, então que não nos desvirtuemos pra sociologia ou qualquer outra coisa que não seja literatura. Concordo com parte do que vocês disseram, mas acho que tais argumentos não têm lugar nessa questão. Se vocês não concordam com os argumentos literários utilizados pela Rapha para aqui falar de literatura (e não são obrigados a concordar), que rebatam com outros argumentos literários.
Vinicius, como sempre (rá!), o norte da bússola. Não achei que ficou em cima do muro, mas vi sinceridade e ponderação em seu comentário. Leu o livro e gostou, leu a crítica e entendeu os argumentos.
Marcelo, como sempre (rá!), babacapracaralho.
Rapha, você sabe o quanto eu gosto de ironia e deboche, mas entendo que o Thiago Povoa tenha se sentido ofendido. O fato de ser doutoranda e ter artigos publicados, lido milhares de livros (literalmente, e não hiperbolicamente), não configura um bom argumento pra discussão. Quanto aos seus outros argumentos, os literários, me parecem bem apresentados e, mais que isso, precisos o bastante pra não causar a confusão interpretativa que aqui se sucedeu. No entanto, se ainda não ficou bem esclarecido, cabe ao seu lado professora encontrar outra maneira de se fazer entender (especificamente na questão da ausência de objetivo da literatura enquanto arte). Imagino que topará com alguns alunos que também não vão entender o que Machado de Assis quis dizer, e vão questionar se Capitu traiu ou não Bentinho, numa tentativa desesperada de descobrir uma verdade absoluta que não tem lugar na literatura. Será seu papel dizer a eles que isso pouco importa, e explicar exatamente que a literatura é o lugar da ficção por excelência, a arte que se assume como engano. Concordo que a educação brasileira atual é péssima, mas cabe a nós, enquanto professores, mudá-la.
Lamento que você tenha sido mal interpretada em alguns argumentos, mas convenhamos que recorrer à intragável Flora Süssekind não vai ajudar a esclarecer muita coisa, né?
Concluindo, retorno ao Thiago (Luz), para dizer que não entendi as citações de Renato Russo em seu último comentário. Quer dizer, até entendi as citações, mas achei totalmente fora de propósito e deslocadas do âmbito da discussão. E U2 é meu ovo esquerdo.
Literatura. Isso ainda vai ser grande no Brasil.
Discordo de você na sua última frase do comentário.
Na verdade, não concordo nem discordo, muito pelo contrário!
Eu juro que é meu último comentário…
André,
Sinceramente achei a crítica violenta (“li masoquistamente até o final” e “o arremedo de livro que me dei o trabalho de ler é a tampa do caixão de Homero”), mas crítica é crítica, pode te colocar no céu ou no inferno (ou no cemitério). Mas, convenhamos, é uma ótima oportunidade para polemizar (e eu não sou polêmico, né?) e colocar em prática o que disse o Marcelo.
Confesso que fiquei chateado com as palavras da Raphaella para o Thiago Póvoa, bem como com o deboche e a ironia na avalição do “arremedo de livro” que fiz. Não sei se são artifícios usuais para tornar a leitura mais interessante ou se há um pouco de veneno escorrendo pelo canto da boca. Não gostei. Minha opinião. E concordo com Thiago Póvoa, pois algumas críticas ao livro acabaram se estendendo ao autor, quando se disse que o livro sofria influência da Veja (não com essas palavras), ou seja, não é o personagem que lê esta ou aquela revista, mas o autor. E também acho que a crítica especializada e a imprensa não gostam de receber criticadas.
Com relação às frases do Renato, realmente ficaram fora de contexto. Eram para ilustrar o que escrevi acerca do personagem estar se “despregando” da cultura rock.
Quanto ao U2, ele está para você assim como os Los Hermanos estão para mim! (hehehehehe… Não resisti!)
Com relação a lutas de classe, não creio que reduzimos o debate para tal tema. Apenas caminhei por ele. Acho que podemos caminhar pela sociedade em paralelo com a literatura, sem perder o foco inicial, mas apliando a discussão e enriquecendo a mesma. Mas entendo seu ponto de vista sobre manter a discussão no âmbito da argumentação literária.
Uma ressalva: eu pedi sim a sua opinião sobre o livro e você me disse que não era ruim. Preferi entender como um elogio, mas pode ser “não é ruim, é horrível”. Enfim, independente disso, conto com a sua presença no lançamento, não como leitor (acredito que você e a Rapha não sejam exatamente o meu público-alvo), mas como amigo – e alguém que sempre me indica bons livros.
Concluindo… André, não se sinta no fogo cruzado. Quem se sentiu assim foi o Vinicius (rá!), afinal estaremos todos no casamento dele, e vai que alguém puxa o tapete quando vocês entrarem na igreja ou joga cerveja no meu cabelo com gel… rs…
Abraço!
*E também acho que a crítica especializada e a imprensa não gostam de receber criticas.
Tanto é que você mesmo escreveu: “é a opinião dela e isso deve ser respeitado. Acho que não preciso vir aqui dizer que respeitar não é concordar, certo? Seus leitores podem não concordar (como não concordo com alguns críticos de cinema, por exemplo), mas você não precisa vir aqui bater o pé e se defender…”
OK! Respeitar significa se manter em silêncio sem emitir opinião? Então não pode haver debate? A crítica pode criticar mas não pode ser criticada? Então eu não deveria ter entrado no blog e comentado? André, desculpa, mas isso é uma espécie de fascismo cultural. Se não quer ser contestado/criticado/elogiado não publique livro, não faça música e não tenha blog na internet.
Abraço!
Thiago, mais uma vez, acho que você está superinterpretando o que André e eu dissemos.
Ninguém falou que você precisa aceitar em silêncio, mas apenas que suas alegações (e as do seu amigo Thiago) fugiam completamente ao contexto literário. E não, ninguém está sendo fascista aqui, caso contrário não teria liberado os comentários (inclusive os engraçadinhos que fazem piada com minha vida pessoal, veja bem). Acredito que minha proposta, ao reativar o blog, foi manter o foco na literatura. Em momento algum você pareceu querer saber porque eu não havia gostado do livro. Não me perguntou se havia passagens que eu achava particularmente problemáticas. E quanto a extrair partes dos meus comentários, respondo com minha historinha que tive o prazer de presenciar na FLIP do ano passado. Ao entrevistar o monstruosamente genial crítico literário Terry Eagleton (marxista fofinho e católico de plantão, por mais esdrúxula que possa soar a adjetivação) o imbecil Silio Boccanera citou trechos das obras, pedindo que o autor explicasse o que queria dizer. Eagleton, com toda sua ironia tipicamente britânica, avisou gentilmente ao jornalista que nunca na vida fizesse isso, porque qualquer citação desencaixada de seu respectivo contexto pode servir até mesmo para corroborar um ponto de vista completamente contrário ao do autor do texto, e finalizou explicando como Marx e Nietzsche vem sendo usados para validar argumentações errôneas desde sempre.
Enfim, pode parecer que estou divergindo, mas o que quero dizer é que quando você retira algo do meu texto, está também retirando o contexto. Quando falei da tampa do caixão de Homero, estava me referindo ao conceito de literatura que está morrendo, ou melhor, mudando. O que vi no seu livro foi um sintoma (daí o título do texto, confesso que coesão é meu forte) de algo que vejo a cada dia crescer mais: a literatura como entretenimento, como deleite pessoal, e não como obra de arte. As pessoas podem ter achado que fui maldosa, mas quero dizer também que acredito que fui comportada em relação à crítica especializada de fato. Flora Süssekind, com quem o André fez uma piadinha, falou cobras e lagartos em uma edição bastante recente de um dos prêmios literários de maior prestígio no Brasil, o Portugal Telecom; chamou a cena literária de palhaçada e falou que dos 50 livros indicados ao prêmio, menos da metade merecia estar ali de fato. Com isso, quero dizer mais uma vez que critica (literária) serve para gerar questionamentos profundos sobre uma obra. E sua obra me serviu, não nego, para questionar os rumos da nossa literatura. Você pode, e deve, me contestar, mas (e isso serve para os dois Thiagos) procure manter a argumentação dentro do âmbito literário, conforme eu a mantive o tempo inteiro. Na verdade, respondi a quase todos os comentários muito mais na tentativa de me fazer entender do que para convencer alguém do meu ponto de vista. Sim, porque seu amigo (o outro Thiago) continua não entendendo a proposta que eu levantei. Você, creio eu, já está a par do que quero dizer.
Ah, claro, quanto ao casamento do Vinicius, fiquem tranquilos (Vinicius, André e Thiago Luz): sou uma pessoa bastante tranquila, não esperem de mim nenhum climão, pelo contrário. Vou achar ótimo se você quiser puxar uma cadeira, tomar uma cerveja (Cerveja porra nenhuma, Vinicius!! Quero champagne!!!) e conversar sobre literatura, que todo mundo sabe que é meu assunto preferido.
Abraços! =)
Aceito que o livro seja taxado de “reacionário”, só não concordo que isso seja ligado a um modismo.
Thiago, eu não falaria que o livro era ruim pensando que o livro era horrível. Enfim, talvez tenha me expressado mal, então vou tentar mais uma vez. Já adianto, porém, que escrevo aqui como leitor, não como crítico que não sou e que jamais aspirei ser (quem me conhece sabe que meu lado didático fala mais alto que o lado crítico). Então, se perguntar se gostei do livro, tendo a dizer que não. E se me perguntar o porquê, explico, sempre pontuando com meu gosto pessoal, que prefiro livros com uma linguagem mais desafiadora e imagens poéticas mais fortes. Penso que falta no seu livro exatamente a riqueza de significados, a multiplicidade de interpretações possíveis, pois me parece que você entrega tudo mastigado demais – e aí entra a tal história do autor “querer dizer”. Quando o autor “quer dizer” alguma coisa, seu livro acaba se reduzindo a essa interpretação pretendida; o que vai na contramão do que me parece essencial na literatura, que é abrir um leque infinito de leituras diferentes. A Rapha, que é de fato uma especialista, me apontou alguns problemas para os quais eu não havia atentado, e penso que vocês poderiam conversar especificamente sobre eles, de forma a aperfeiçoar, se não este, seus próximos livros (e aí entra o tal do caráter dialético da crítica a que o Régis muito bem se referiu). Concluindo, escrevo aqui o que já havia dito ao Vinicius: seu livro tem potencial pra se tornar um best-seller, o que não faz dele uma obra de arte, como não o é quase a totalidade dos mais vendidos – sem querer voltar aqui à luta de classes, já que não afirmo isso por tentar preservar um caráter elitista da arte, e sim porque me parece faltar nestes livros o caráter de ruptura.
Grande abraço!
ps: concordo com a Rapha quando ela diz que o livro tem caráter reacionário, também fiz essa leitura. Você pode até dizer que teve intenção oposta (ou que não teve intenção nenhuma), mas foi o que percebemos do lado de cá.
Pô… Já estava alugando o octógono do UFC para ter uma atração extra no casamento… Mas tudo bem!
Com relação às bebidas, Rapha, teremos cerveja, prosecco e um open bar com oito tipos de drinks além de caipirinhas de diversas frutas só para vocês encherem a cara e discutirem os assuntos mais diversos, divergentes, inconvenientes, contestáveis e inimagináveis e ainda, não se lembrarem de nada no dia seguinte.
Quanto a discutir sobre literatura, ficaria muito feliz em poder conversar sobre a literatura romena e todos os seus ícones e lendas… Na língua nativa, é claro! :p
Abraços a todos!
Olá a todos que estão acompanhando o debate! O que estou espantado é, como o Yaakoub disse isso: “Não achei que ficou em cima do muro” – dirigindo-se ao comentário que fiz sobre o Vinicius – e o meu comentário onde eu falava exatamente sobre isto até o momento não foi aprovado pela moderadora. Por que?
André sinto discordar de você mas quando a Raphaella em seu comentário me disse: “mas já adianto que quando você diz que falar de intelectualidade é excluir uma parcela da população parece estar falando de si mesmo” e ainda mais “aconselho sinceramente que você recorra a um bom dicionário de língua portuguesa, de preferência o Houaiss, e veja as definições dos termos “ético” e “estético”, para assim, quem sabe, conseguir acompanhar o que estou propondo aqui” passou muito longe da literatura.
Você disse que ela não criticou o Thiago Luz mas sim a obra que ele criou, apesar de não concordar plenamente com isso, por acreditar que toda obra leva uma parte de seu autor e não há esta destinção Artista X Sua Própria Arte (mas ai já estamos entrando no lado filosófico e ninguém precisa concordar comigo neste sentido), gostaria que você separasse lá no meu primeiro comentário o que eu falei de tão absurdo que merecia comentários da parte da Raphaella como os que citei anteriormente?
Não creio que comentários como este: “não entendo esta insistência no meio “cult de que pra ser bom tem que ser escrito com o mesmo vocabulário que se usava em 1.500″ tenham sido ofensivo. Afinal vocês não são “cults”? O que pode ter chateado neste comentário é que a filosofia punk “MATEM-ME POR FAVOR” não combina muito com o “cult”, mas isso de forma alguma é uma culpa minha, eu não criei isso.
No meu segundo comentário sim, quando disse:”No fim das contas ficou parecendo que você é a “critica”, que não recebe muito bem as criticas” ai eu critiquei a Raphaella (a critica) por realmente ter achado que ela como moderadora no blog não conduziu corretamente o debate, uma vez que ao receber a tais “criticas” ela não aceitou muito bem.
Enfim, fico no aguardo que o meu comentário antes deste seja liberado pela moderação.
Abraços!
Então, prezado Póvoa, essa é, de fato, a última vez que tento me fazer entender por você. Até porque acredito que, após os esclarecimentos do meu ilustríssimo esposo, não é possível que ainda exista algum ponto no qual você queira insistir. Pra começar, vou pedir a você o mesmo que pedi ao outro Thiago (o Luz): não extraia fragmentos descontextualizados de uma argumentação. Não peço isso apenas por mim, mas por todos com quem você quiser debater daqui para frente. Quando falei que seu comentário era um cúmulo de equívocos, coisa que continuo achando, estava me referindo a sua incompreensão absoluta da discussão que havia sido minha proposta aqui. O que eu achei ou não do livro do seu amigo é problema meu. Mas, como o André disse, devo tentar ser mais didática: quando falo em ético e estético, estou me referindo ao universo da arte, e não falando da obra especificamente. E quando digo que achei que no livro não há projeto estético, estou falando que não acredito que exista mais nas páginas da obra do que uma narrativa que irá atrair um ou outro leitor desavisado. Projeto estético é o que diferencia romance de banca de jornal dos ganhadores do prêmio Nobel, pra explorar exemplos que você conheça. Quando falamos em estética no âmbito da literatura, não estamos, de maneira alguma, falando em vocabulário ou sintaxe. Pelo contrário, Albert Camus, prêmio Nobel de Literatura em meados dos anos 50 ou 60 – não me recordo muito bem – é autor de um dos livros que mudou a minha vida, uma pérola de menos de 100 páginas, vocabulário seco, quase despido de adjetivos e que, ainda assim, impressiona pela força, pela genialidade. Além de ser tido como pedra fundamental da prosa existencialista, O Estrangeiro continua sendo lido e relido até os dias de hoje. Há pouco mais de 2 anos tive a oportunidade de assistir um monólogo baseado no livro (absolutamente fantástico, diga-se de passagem).
Apenas mais uma coisa: obra e autor são duas coisas independentes, você querendo, achando ou não, nisso preciso ser categórica. Pode me chamar de arrogante mais uma vez, mas escrevi mais de 100 páginas sobre isso no mestrado, e justamente por isso afirmo que são coisas independentes. Por isso também custei a entender porque o Thiago (Luz) se mostrava pessoalmente ofendido. Eu sempre, em todos os comentários e respostas, mantive o foco no livro e nas minhas opiniões. E sim, seu primeiro comentário foi bastante debochado, tanto que respondi da mesma forma, mais uma vez, questão de interpretação, essa é a minha.
Quanto a conduzir o debate, a única coisa que me chamou a atenção foi a sua (sua mesmo, não do Thiago Luz) incapacidade de acompanhar a discussão. Se você queria defender o livro do seu amigo, bastava dizer que não concordava comigo e que tinha gostado. Você quis expor um ponto de vista que fugia completamente ao que eu havia proposto no post, logo, me senti impelida a ser irônica. Bem, que respondam aqueles que me conhecem pessoalmente.
Quanto ao Mate-me por favor (aliás, isso serve pros dois Thiagos), não é um “manual de como ser punk”, mas um compêndio de depoimentos de todos os artistas de peso das décadas de 60,70 e 80, tendo como ponto de partida o óbvio “Velvet Undergroud” , passando pelo “New York Dolls”, “Ramones”, até chegar ao que conhecemos hoje como a imagem do punk “Sex Pistols”, “The Clash” e etc. E eu disse isso pro Thiago (Luz) porque acho (sinceramente) que a discussão da obra poderia ser enriquecida. Nas inúmeras vezes que falei de rock, nunca resumi, repito, o gênero que mudou o século XX ao trinômio estereotipado pela mídia. E só trouxe o livro à tona (Mate-me por favor) porque sei que Renato Russo bebia diretamente na fonte transgressora do punk. Veja bem, estou falando de transgressão, não de drogas, bebidas ou sexo sem limites. Transgressão não é apenas isso. Transgredir quer dizer ir contra os padrões impostos pela sociedade, sejam eles quais forem.
Quanto às críticas, aceito, desde que elas sejam fundamentadas no debate, coisa que você não fez. Como disse antes, se discordava porque havia gostado do livro, bastava dizer.
Atenciosamente,
a gerência.
CORRIGINDO: “O que estou espantado é, como o Yaakoub disse isso: “Não achei que ficou em cima do muro” – dirigindo-se ao comentário que fiz sobre o Vinicius – e o meu comentário onde eu falava exatamente sobre isto até o momento não foi aprovado pela moderadora. Por que?”
Talvez por algum erro no blog ou no browser o meu comentário tenha demorado a aparecer e não foi culpa da moderadora, então em relação a isto peço desculpas.
Cara Raphaella, depois de ler “O que eu achei ou não do livro do seu amigo é problema meu” vou usar palavras suas para descrever minha sensação – li seu comentário “masoquistamente até o final”.
Falou-se tanto em interpretação e você considerou meu primeiro comentário debochado, só por que por um segundo achei que era o autor que tinha criado o blog?
No fim o ingênuo fui eu achando que o espaço era para dar opiniões, não sabia que “o dono(a) da bola” tinha que ter razão. Uma pena!
Uma vez um “sábio popular” me disse: “Quem critica o trabalho dos outros é babaca”
Sinceridade não acho que seja pra tanto e acho realmente legal criticas bem feitas. A sua critica estava bem perto de ter sido muito bem feita não fossem termos como: “li masoquistamente até o final” e “o arremedo de livro que me dei o trabalho de ler é a tampa do caixão de Homero”, entre outros. Eram realmente necessários tais termos? Será que incomodou e soou antipático e arrogante apenas para mim? São exatamentes termos como este que dão vida ao que disse o “sábio popular” e fazem com que não coexistam, critico e artista.
“obra e autor são duas coisas independentes, você querendo, achando ou não”
Isso aqui é o que? Regime Absolutista? Ditatorial? Por que você escreveu mais de cem páginas então passou a ser inquestionável? Ah desculpe eu devo ter entendido mal novamente… não foi bem isso que você quis dizer.
Repare a diferença, fiz parte de uma banda por quase oito anos, e jamais usei isso a meu favor em nossos comentários, mas infelizmente minha essência e mente artistica, acabaram de ser enterradas por suas mais de cem páginas. Eu acho que maioria (repare bem “acho” e “maioria” pois não quero impor nada) dos artistas são sim a própria arte que produzem, se eu não sou uma parte de minhas músicas e minhas músicas não são uma parte de mim, então elas são apenas letras e acordes sem vida? Sem coração? Sem sentimento? Sem sentido? Sem alma? Então mais uma vez eu digo, esta é minha opinião (não concorde se não quiser, mas tambem não tente impor).
Talvez no fundo a maioria dos criticos tenham dificuldade em entender isto, pois em uma critica estamos comentando sobre o que já foi feito e não criando exatamente. Repare que ao sentir sua “criação” (seu post critico) atacada você não foi melhor do que nós em momento algum. Choveram indelicadezas, por que sua “criação” estava sendo “(des)aprovada” E perceba que era apenas uma critica de um livro pronto (ou quase pronto) imagine se tivéssemos feito o mesmo comentário com um livro seu? Fica dificil prever a reação que teria. Ah tá já sei: Você diria:” Nossa gente que legal, muito obrigada por “descer o cacete” na minha obra. Adoro vocês”. Será?
Quer dizer você comenta a obra do autor, o leitor não curte seu comentário, emite a opinião e você sugere que o leitor compre um dicionário, pois estava ocorrendo um confronto de niveis diferentes de “intelectualidade”? Por que o leitor “leigo” ou não, saiu em defesa de uma obra que ele gostou? Ou melhor, você diz ao leitor que se você gostou ou não do livro é problema seu? No mínimo deselegante.
Sobre comentar fragmentos do seus posts, convenhamos, não faz sentido comentar linha por linha, mas eu posso tentar: “Então, prezado Póvoa, essa é, de fato, a última vez que tento me fazer entender por você.”- Muito bom comentário usou a acentuação certinha no meu nome – Notou a diferença? Agora sim fui debochado.
“Quanto a conduzir o debate, a única coisa que me chamou a atenção foi a sua (sua mesmo, não do Thiago Luz) incapacidade de acompanhar a discussão. Se você queria defender o livro do seu amigo, bastava dizer que não concordava comigo e que tinha gostado”
Quer dizer liberdade de expressão zero? Por que agora você quer dizer o que eu deveria ter dito? O luxo da argumentação só cabia a você? Desculpa mas no seu blog não tem um manual de regras dizendo como deve-se agir para manter tudo fluindo na normalidade. Aliás seus dias de paz irão voltar.
Seria um ótimo inicio das suas aventuras como critica neste blog, entretanto temo que por motivos como os citados anteriormente e a contradição de um critico não aceitar criticas (INSISTO nisso, pois de tudo que foi dito ainda espero uma explicação plausível sobre), espantem pessoas que queiram realmente manter um debate sadio e não serem “ordenadas” a procurar um dicionário ou um manual para conseguir acompanhar o que esta sendo proposto por você em seu blog.
Mais uma vez um grande abraço a todos!
Ps: Para não fazermos disso um debate infinito eu espero muito que este tenha sido meu ultimo comentário.
Thiago, me desculpe, mas acho que você viajou aí no seu comentário. De uma maneira geral, sem me aprofundar mais no debate, já que todos temos uma vida fora daqui:
1. vou ignorar a sua tentativa frustrada de mise en abyme, mas até acho interessante a ideia de uma crítica da crítica, seria uma boa premissa pra (mais) um blog;
2. a Rapha usou sim palavras duras ao criticar o livro (eu, por lhe considerar um amigo, talvez não as tivesse usado), entendo que o Thiago Luz tenha se sentido mal com tais palavras (eu, que tenho baixa auto-estima e faço terapia pra curar alguns traumas de infância, talvez me fechasse no quarto a chorar por semanas), mas acho que o escritor/artista deve estar preparado pra lidar com esse tipo de comentário;
3. você pode até continuar pensando que artista/obra são coisas dependentes, que um dá vida ao outro e toda essa baboseira superficial; ou pode abrir a cabeça e tentar entender de fato os argumentos contrários aqui apresentados. Veja bem, isso aqui não é ditadura ou regime fascista, eu te dou a oportunidade de seguir pensando como já pensa, mas te apresento um outro lado (mais profundo e teoricamente embasado) que diz o oposto. Não são apenas as cem páginas escritas pela Rapha que dizem o contrário, mas também as centenas de milhares que ela leu pra escrever essas cem. E aqui, antes que você pense que é uma hipérbole de cunho retórico, devo avisá-lo que você não encontrará (porque simplesmente não há) uma linha sequer que lhe sirva de suporte teórico.
Grande abraço!
Ps: vocês podem pensar que a autora do blog está chateada ou cabisbaixa com os comentários negativos, mas acho que nunca vi a Rapha tão empolgada! Meu Deus, eu me casei com um monstro!
Nada como a crise dos 6 meses de casamento…
Galera, eu nunca escrevi livro e manjo pouco de literatura, apesar de ser leitor compulsivo (afinal, li quase tudo que foi escrito aqui). Mas vou falar também, porque sou da tradição polemista lusa
Antes, tenho que contar não gosto de “artista”. Politicamente, que fique claro. Em geral, vejo artistas fazendo uso de seu eu lírico (é isso?) para justificar algumas posições reacionárias, sectárias e etc. (Longe de ser o caso dos camaradas aqui, é só um conceito geral.)
A concepção que tenho de crítica vem do pensamento dialético, então penso a crítica enquanto superação de alguma concretude dada. Nesse sentido, o conceito de crítica é carregado de história e está sempre objetivando uma transformação da realidade. Será que tem a ver com a crítica literária? Qual o objetivo do crítico literário? Aí vou em Bourdieu pra provocar: não seria o crítico o profissional que dá aquele verniz de validade e excepcionalidade a um campo do saber, no caso, a literatura?
Mas discordo com o amigo aí em cima quando diz que o crítico não extá criando exatamente. Está criando sim, mas em outra ordem. O discurso do crítico, a meu ver, cria uma materialidade específica (bem conhecida por todos nós) que, inclusive, já está bem assentada no senso comum. Gostemos ou não, o trabalho do crítico faz parte da própria obra, pois provoca interpretações a esta.
Agora, sobre o que a Rapha falou sobre obra e autor serem independentes. São independentes pq a obra vai além do “autor”, ser orgânico, finito? Mas a obra não carrega, sempre, as especifidades históricas daquele que a escreveu? A despeito de lermos Homero e Tucídedes ainda hoje, podemos esquecer que eles foram gregos que viveram a milhares de anos atrás?
aí galera da patrulha, EXTÁ foi foda, hein? Erro de digitación, calma
sou moderna, aqui não passa a patrulhinha do professor Pasquale!
mimimi “patrulhina do professor pasquale” mimimi e ainda não consertou aquele MAIS…
acabou que mandei um “patrulhina”… FAIL!!!
Bom, eu teria ainda mil coisas para falar das quais continuei sem resposta, mas ficar dando voltas no mesmo assunto não me parece uma atitude inteligente, pois tenho a sensação que não temos nada de “novo” a acrescentar a este debate.
Pontos de vista divergentes a parte, desejo sucesso a: Raphaella, André, Thiago Luz, Vinicius ( na hora do fale agora ou cale-se para sempre, vou demonstrar todo meu amor por você, nooffaa) e aos outros amigos que colocaram suas opiniões referente ao tema postado.
Concordando ou não com todos os comentários, foi bom enquanto durou. Amanhã vou até sentir falta de passar alguns minutos elaborando uma nova resposta rss..
Abraços sinceros a todos.
Thiago (Póvoa), não precisa esperar a hora do “fale agora ou cale-se para sempre”! Se quiser fazer alguma declaração de amor, faça antes, pois assim posso te corresponder!
:*
hehehe
PS: André, nada de ciúmes, ok? Tenho amor pra todo mundo!
Estou a espera de um novo post tão polêmico como os dois últimos para que possamos ter mais um debate caloroso e ávido.
Pode ser a resenha de Carvão Animal, afinal, assim serei poupado de ler 158 páginas (o que no meu ritmo de leitura daria uns 2 ou 3 anos) e terei idéia do que é o livro, o qual a sinopse me pareceu interessante!
Mas Rapha, crie polêmicas, por favor!