Recentemente, chegou às minhas mãos por meios virtuais o original do livro de um conhecido (que prefiro manter anônimo por razões pessoais, apesar de saber que ele já possui tudo devidamente registrado e reconhecido). Enfim, poderia me manter à parte da questão do juízo de valor da obra, mas acho que opiniões são opiniões, e nada me impede de manifestar a minha.
Bem, o livro (se é que podemos assim chamá-lo) é fraco, fraquíssimo – insisto em dizer. Tudo se resume à narrativa das fictícias desventuras de um ícone imaginário do rock nacional, um misto de Cazuza e Renato Russo com uma dose cavalar de heterossexualidade. Antes de me aprofundar devidamente no que fundamenta minha opinião, afirmarei o seguinte: musicalmente, o livro é fraco. A trama tem como foco o cenário musical brasileiro pós-década de 80, além de tudo aquilo que já conhecemos como suas influências. Não encontramos muito mais do que o falecido Legião Urbana nas páginas da obra. Confesso que não sou grande fã de música brasileira, mais ainda assim me atrevo a perguntar: e o(s) Paralamas do sucesso? Engenheiros do Havaí? Isso apenas para citar os favoritos da mídia e não, por exemplo, o polêmico Camisa de Vênus, conhecido pela maioria da minha geração apenas por ser a “banda do pai da Penélope Nova”, (ex?, sei lá…)VJ da Mtv. Claro, fico no âmbito nacional porque nem quero começar a puxar aquele rosário que sei que preenche os players e ipods da grande maioria dos meus amigos/conhecidos (salvo algumas exceções): Joy Division, The Cure, Depeche Mode, New Order e, óbvio (o rei absoluto de todos nós, Morrisey) The Smiths (Isso porque Bowie é sempre hors concours).
Estou divergindo, claro. Ok, e a literatura, onde fica? Bem, não vou entrar em minúcias do tipo sintaxe, ortografia, estruturação de parágrafos e outros blá blá blás. Como não?, perguntarão aquele que me conhecem. Sou professora de português sim, mas acho que me vejo como doutoranda antes de tudo (Em literatura, por favor!). Continuando, há quem diga que o que valida um livro é seu apelo de mercado. Sinto informar, o que valida (não só um livro, mas qualquer obra de arte) é o tão discutido reconhecimento pelos pares. No mundo da literatura, isso quer dizer que se sua obra é tema de teses, dissertações, comunicações de congresso e etc, tenha certeza que existe algo mais entre as linhas de cada página do que pode supor nossa vã filosofia. Projeto estético, fabulação, diferentes níveis de leitura, narrativas que desafiam os limites de nossas acomodadas imaginações são apenas algumas das características que mantêm, como gosto de dizer, uma obra de pé.
Os mais pessimistas irão perguntar: e o Paulo Coelho na ABL? Eu respondo: a cadeira na ABL foi a prova cabal daquilo que academicamente chamamos de interferência de campo (aliás, acho que quem fala isso é Pierre Bourdieu). O fato de vender milhões de livros mundo afora não faz dele um escritor, muito menos tudo isso que dizem por aí. Seus textos são pobres, pretensiosamente escritos e ainda abusam de referências vazias à literatura de um Oriente que poucos dominam: Pérsia e Turquia, apenas para citar alguns. (ou melhor: o que esperar de uma instituição que já possuía entre seus imortais JOSÉ SARNEY?)
Ainda afirmo mais o seguinte: no dia em que a AUTO-AJUDA for promovida ao estatuto de obra de arte, com a devida licença, farei meu o bordão do punk MATEM-ME POR FAVOR! A literatura é a arte da palavra, é usar a língua fascista de todos os dias para algo que não seja pedir um copo d’água ou ir ao mercado, é, para usar as lindas palavras de Manoel de Barros, desarrumar a linguagem. Me arrisco também a fazer uma profecia: depois de morto Paulo Coelho, não dou dez anos para que sua ficção lhe faça companhia na cova ao lado. Novamente, escuto os mais descrentes: será mesmo? E respondo com outra pergunta: alguém conhece Coelho Neto? Resumindo, o cidadão foi enterrado com pompa e circunstância, como um dos maiores de sua geração (da mesma maneira que Anatole France). Só que o tempo se encarregou de provar que sua obra não resistiria ao mais leve peteleco.
Pode parecer que divergi muito da questão inicial. Bem, talvez não. O que eu ia acrescentar sobre o tal “livro” em questão (que, confesso, li masoquisticamente até o fim) era o seguinte: por mais que meu lado bom ache válido qualquer esforço de escrita, meu lado acadêmico (sim o lado ruim e o predominante) precisa dizer que um livro não é uma história, não é uma narrativa e menos ainda é uma lição de moral de qualquer natureza (ainda que às avessas), recheada de referências vazias, diálogos que se limitam a reproduzir o discurso politicamente correto divulgado pela mídia brasileira (liderada, sem dúvida, pela nojenta Veja). Sinto muito, um livro não é Times New Roman, índice ou capítulo.
O que aconteceu foi que toda a reflexão gerada pelo tal “livro” acabou tendo como ponto final a questão: o que é literatura hoje? Depois de Guimarães Rosa, Manuel Bandeira, Garcia Márquez, Borges, Saramago, William Faulkner, Roberto Bolaño, o que significa escrever um livro? É provável que eu não saiba a melhor maneira de responder a essa pergunta. É provável que eu soe pretensiosa, mas é um risco que prefiro correr.
De tudo que se produz hoje no Brasil, em matéria de literatura poucos são os autores que possuem, ouso afirmar, um projeto estético real e ainda assim conseguem disputar um lugar nas prateleiras com os livros de auto-ajuda e/ou ficções descartáveis. Confesso que gosto (e muito) do Bernardo Carvalho, (ainda) não li Lourenço Mutarelli e adoro Marçal Aquino (caso sério, adoro mesmo!). Consigo ver neles (e em muitos outros que não citei) uma escrita que comporta discussões, análises, leituras, sem se distanciar daquilo que nos faz de fato chegar ao final de um livro qualquer: uma promessa, uma atração magnética latente em cada uma das páginas. (Isso me ocorreu principalmente depois de ter lido as quase 900 páginas de 2666, romance de publicação póstuma do chileno Roberto Bolaño, em menos de 1 semana)
Por mais que sejamos capazes de nos lembrar o título de pelo menos um livro que fez nosso coração bater mais forte, não posso me furtar afirmar que a literatura, da maneira como a conhecemos, está morrendo. Sinto a cada dia como se fosse a advogada de uma arte agonizante.
As pessoas dizem por aí que o rock morreu, mas quem anda dando seus últimos suspiros é a literatura. (Há alguns anos, em sua coluna semana em O Globo, Arthur Dapieve escreveu que após tudo que foi dito sobre a música pop e seus hits de cinco minutos estarem fadados à morte, surgia a inglesa Lily Allen, provando que todos estavam errados. Espero de coração estar errada e ter a oportunidade de escrever minha própria retratação, um dia, quem sabe?) Poderia fazer uma piada ruim e dizer que o arremedo de livro que me dei o trabalho de ler é a tampa do caixão de Homero. O triste seria, porém, dizer que não é apenas uma piada na minha opinião. O sofrível original que li é o sintoma mais claro disso. Hoje não há mais espaço para uma literatura como a que já houve antes. Veja bem, como não quer dizer igual, mas da mesma maneira. Não consigo imaginar, por exemplo, abrir o jornal num sábado qualquer e ver estampado o rosto de um “novo” Jorge Luis Borges em todos os cantos do (im)popular Prosa e Verso. Não porque nossa literatura viva, como Portugal, à espera de D. Sebastião, na expectativa da emergência de um novo grande nome.
Não acredito que somos órfãos a esse ponto, apenas sabemos que nossa filiação se encontra no passado. O que quero dizer é que estamos vivendo um momento divisor de águas. Umberto Eco e Jean-Claude Carrière afirmam que não devemos contar com o fim do livro. Não estou apenas de acordo, também acrescento: os livros sempre existirão, o que irá mudar é seu conteúdo.
Irá não, já está mudando. Muitos são os que estão de lançando ao desafio de escrever um livro no novo século. Algo que apesar de toda a sedução técnico-científica, consiga propor uma estética, desafie nossa imaginação acostumada à visualidade do mundo. Algo que você leia no e-book e ainda assim faça questão de comprar o original. Me disseram até que muitos (apesar de não tão conhecidos) são os escritores que já estão conseguindo fazer algo diferente.
Bem, só posso dizer, para concluir, que meu exemplar de Carvão Animal chegou hoje e ainda não tive tempo de ler. Quem sabe o próximo post seja uma resenha sobre ele?
Poxa, e eu sempre pensei que os favoritos da mídia fossem os Titãs!
Afinal, um deles pega a Malu Mader, outro pegava a Cássia Eller, outro brincava com o combo Carlinhos Brown + Marisa Monte, outro pegou cancer… é muito material!
Valeu, Homero, foi bom enquanto durou… (=
ps: no aguardo da resenha de carvão animal!
Boa argumentação, mas faltou o nome do livro e do autor…
Thiago, caso você prefira, posso alterar o post e incluir o nome do seu livro. No entanto, a ideia do post não era resenhar seu livro, mas levantar a questão “O que é literatura hoje?”, além de traçar um breve panorama do cenário contemporâneo da literatura brasileira. Seu livro surgiu como um exemplo, foi apenas o gatilho que disparou a argumentação. Caso você deseje, posso fazer uma resenha específica do seu livro, comentando ponto a ponto, pois sei que tem interesse em publicá-lo e as críticas fazem parte desse processo. Veja bem, críticas construtivas, que podem, talvez, ajudá-lo em seus próximos projetos.
Após a leitura do que foi postado, resolvi escrever (não sei por que).
Compreendo a indignação da “dona do blog” (assim chamarei, pois não achei o nome dela na página), me pergunto inclusive se não foi criado pelo próprio autor na intenção de “falem mal de mim, mas falem de mim” (risos), porém não entendo esta insistência no meio “cult” de que pra ser bom tem que ser escrito com o mesmo vocabulário que se usava em 1.500. Sim já sei, vão me chamar de “leigo”, “burro”, “inculto”, mas tudo bem ainda sim manterei minha opinião.
Acredito que existe hora pra tudo, hora para aprender, para rir, para refletir, e também acredito que existem maneiras diferentes de atingir tal objetivo, seja por meio de palavras “pouco usadas” ou por meio de palavras corriqueiras.
Hoje tenho o privilégio de assistir um desenho chamado South Park (criado faz tempo), que muitos devem se retorcer por causa dos tantos palavrões que são ditos ao longo de cada episódio, entretanto a mensagem política escondida nos deboches e situações bizarras que o desenho propõe, são totalmente racionais e um tanto convincentes.
Aliás, se pensarmos calmamente, até o Chaves (o programa que passa no sbt) entre as maluquices de seus personagens e repetições de situações conseguimos enxergar várias criticas a sociedade, que dos anos 70 pra cá, parece não ter mudado nadinha. Quem diria?
Falar somente ao lado intelectual da população, hoje em dia, é excluir a população que não tem direito a uma educação digna, é afastar ainda mais a classe B e A da classe C e D, aumentando o abismo que já existe entre as classes. Portanto o problema não está nos livros que são escritos com “linguagens pobres”, mas sim da educação pobre que recebemos. Então creio que quando você deixa de formar pessoas que de fato conheçam a língua que falam, fica difícil sonhar com escritores “magníficos” que utilizem a língua portuguesa de forma exemplar. Mesmo assim de forma alguma um escritor magnífico esta relacionado as palavras que usa, mas sim a maneira que consegue atingir o seu objetivo ao escrever um livro. Sendo assim, como sabermos então que objetivo um autor quis alcançar? Por mais que possamos achar que sabemos, talvez só ele saiba
Concluindo meu raciocínio, acho que o que falta hoje é um pouco mais de atitude de nossa parte, aquela atitude rock n’ roll, que todos idolatramos, que todos sonhamos um dia ter coragem para por em prática. E acho que o livro que foi colocado em questão (se for o mesmo que estou pensando) tem a dose necessária de rock n roll.
Abraços a todos!
Caro Thiago Póvoa,
Não, eu não sou um ghost writer, meu nome é Raphaella Lira e faço doutorado em Ciência da Literatura na UFRJ. Acho desnecessário inserir aqui o link para o meu curriculum lattes, mas digo, resumindamente, que tenho artigos publicados, congressos e algumas horas consideráveis de sala de aula, não apenas como aluna mas principalmente como professora. Prefiro comentar pontualmente cada uma das suas afirmações, mas já adianto que quando você diz que falar de intelectualidade é excluir uma parcela da população parece estar falando de si mesmo. O que eu disse no texto não tem relação em absoluto com isso, e chego, mais uma vez, a me questionar sobre o que andam lecionando nas escolas do país sob a legenda de língua portuguesa, literatura ou mesmo redação.
Agora, por partes: em momento algum eu afirmei que um livro, para ser bom, deveria ser escrito com um vocabulário castiço do século XV. Pelo contrário, existem obras que impressionam pela força de imagens que conseguem construir com tão poucas e simples palavras. E sim, claro, falar do poder e da importância da palavra quer dizer, no meu mundo, falar de Guimarães Rosa. O (é provável, acredito) maior romancista brasileiro do século passado escreveu Grande Sertão: Veredas na variante mais coloquial possível: a língua falada pelo sertanejo no interior do Brasil. E ainda assim, a obra mudou para sempre os rumos da nossa literatura.
Quando você fala de South Park, veja bem, eu também assisto e compartilho parte do seu ponto de vista. Porém, mais uma vez, o que disse no texto não se refere à forma, às regras gramaticais, ou tudo aquilo que podemos evocar ao entrar em contato com um filme, um livro ou outra coisa qualquer. Eu falei (e acredito que repeti várias vezes) em projeto estético. Literatura não tem objetivo, literatura é arte. Quando você escreve um livro com um objetivo, não está pensando em arte, não tem projeto estético. Ainda acrescento: quando você afirma que não podemos saber qual foi o objetivo que um autor teve ao escrever um livro, vejo claramente a herança da educação ruim que continua sendo disseminada país afora, a ideia de que o autor “quis dizer algo”. Não, ele não quis; o que ele queria, o projeto, a obra de arte, já está no papel; a interpretação cabe a cada um, e é isso que dá sobrevida a um livro: diferentes possibilidades de interpretação.
Enfim, apenas para concluir, aconselho sinceramente que você recorra a um bom dicionário de língua portuguesa, de preferência o Houaiss, e veja as definições dos termos “ético” e “estético”, para assim, quem sabe, conseguir acompanhar o que estou propondo aqui.
Abraços cordiais e grata pela preferência.
ps: quanto ao que você denonima “atitude rock and roll”, creio que nada tenha a ver com o pensamento curiosamente conservador que percebi nas páginas da obra. Rock and roll, pra mim, sempre foi (e de certa forma continua sendo) a música da contravenção, da insubmissão e da transgressão do lugar-comum. Caso discorde, posso postar uma lista de músicas e grupos obrigatórios que devem fazer parte do universo de qualquer um que goste (ou acredite gostar) do gênero. =)
Caríssimos leitores e autora do blog e autor do livro,
Achei interessantíssima a crítica apresentada aqui. Bem redigida e clara (como não poderia deixar de ser), traz um ótimo debate: O rumo da literatura brasileira.
Veja bem, não sou formado em nada, não possuo nível superior e tenho certeza que não leio tanto quanto deveria, então não me sinto apto a discutir o tema com toda a sua abrangência, sendo assim vou apenas me focar no livro em questão o qual eu me senti atraído. Não pelo fato do autor do livro ser meu amigo, da mesma forma que a dona do blog é, mas pelo fato que nele me identifiquei de alguma forma e acho que muitos se identificarão. Vi nele partes de mim e sonhos que um dia sonhei (talvez não da mesma maneira, mas ainda assim com similaridades).
Tenho certeza que este não foi o caso da Raphaela, mas “cada um é cada um”, né? E como dizem por aí, gosto é que nem aquele orifício no final do trato digestivo, cada um tem o seu. Achei o livro interessante e de fácil leitura, e que a crítica foi também muito boa. Isso só contribui para que o Thiago Luz crie algo melhor para uma próxima obra que ele possa vir a escrever e que a Raphaela Lira possa vir a criticar (e quem sabe até opinar antes da obra concluída, tornando-a mais interessante no seu ponto de vista).
O que quero dizer é que gostei do livro, talvez até por alguns motivos que fizeram com que a Rapha não tenha gostado, mas principalmente porque me senti em sintonia com a história, que pode não ser a mais profunda, mas que me deixou pensando, principalmente, no meu passado e no que eu poderia ter feito se tivesse seguido outros rumos. Por outro lado, a crítica também foi ótima, pois criou um debate que trará ótimos frutos e que com certeza me farão querer ler mais e ouvir mais rock.
Abraços a todos e continuem assim!
PS: Sei que dirão que fui político no meu comentário, mas apenas expressei o que pensei sem a preocupação de agradar ou desagradar alguém.
“…quanto ao que você denonima “atitude rock and roll”, creio que nada tenha a ver com o pensamento curiosamente conservador que percebi nas páginas da obra…”
“um livro não é uma história, não é uma narrativa e menos ainda é uma lição de moral de qualquer natureza (ainda que às avessas), recheada de referências vazias, diálogos que se limitam a reproduzir o discurso politicamente correto divulgado pela mídia brasileira (liderada, sem dúvida, pela nojenta Veja)”
Eis o personagem politicamente correto:
((– FILHO DA PUTA! – Cris acertou um chute na barriga do homem, que ainda estava caído no chão desacordado.
– Não faz isso com o pobre coitado… Só está com fome – disse uma senhora na calçada.
– Tá com pena? Leva pra casa, porra! – Cris agora estava transtornado. Acertou outro chute no homem. – Além de me machucar, me deixou fedendo…
A polícia não demorou a chegar e Cris teve que ir até a delegacia… Aquilo foi um prato cheio para a imprensa que estampou no dia seguinte em letras garrafais: CRIS IÓRIO, NOVO ESCÂNDALO.))
Mas num ponto concordamos: a Veja é nojenta!
Acho que você deveria reler o livro, pois ele é tudo, menos politicamente correto ou conservador! Das sete ou oito pessoas que leram o livro até agora, mesmo a primeira versão (a qual passei ao André), você foi a primeira a dizer que o livro é conservador. Enfim, talvez seja uma interpretação ou talvez as outras seis (incluindo o Vinicius Sombra e o Thiago Póvoa) não tenham tido uma “educação adequada” ou careçam de intelectualidade. Aliás, esse tipo de pensamento é clássico das elites, renegando o que não vem com as “etiquetas de qualidade” dos fariseus, e destinando esse “lixo” à crucificação.
Com relação à resenha específica do livro, acho desnecessário depois do “…Bem, o livro (se é que podemos assim chamá-lo) é fraco, fraquíssimo…” ou “que, confesso, li masoquisticamente até o fim”. Mas se você quiser fazer, fique à vontade, só peço que faça da última versão, que será publicada. Claro, as críticas fazem parte do processo, diria da vida em geral, principalmente as construtivas (as quais, sinceramente, não encontrei nas suas palavras).
E acho estranho uma professora dizer a um roqueiro (Thiago Póvoa) o que é ser “rock and roll”. Ele vive isso na pele, compondo na água e no ácido, como diria John Lennon. Mas reduzir o rock’n'roll à trilogia “sexo-drogas-rock” é no mínimo se deixar levar por esse estereótipo tão divulgado na Veja e na Globo (será q o Bono Vox corrobora com essa trilogia? Já o viu bêbado quebrando quartos de hotel? Muito pelo contrário. E, claro, tem muitas músicas inspiradas nas matérias da Veja e no Jornal Nacional, falando de anjos e de Jesus… Mas é um roqueiro, ou será que pra ser roqueiro precisamos fumar um baseado e mandar Deus tomar no cú?).
Aliás, foi exatamente desse estereótipo que o Renato Russo quis fugir no final da vida, ao procurar o AA p/ se livrar do álcool e levar uma vida mais regrada, que, infelizmente, foi ceifada pela AIDS (e por falar no Trovador Solitário, ele foi o grande homenageado do livro… Não, eu não errei ao não mencionar outras bandas. O foco foi a LEGIÃO URBANA… Tanto é que na última página, num poemeto quase escondido de tão pequeno, eu faço uma homenagem ao Trovador, mas nem todos percebem esse “detalhe”).
Ah, sim, gostaria que o meu nome e o título do livro fossem citados: THIAGO LUZ e “BRAVO! – QUANDO OS HOMENS SE TORNAM HERÓIS”. Acho que mereço os créditos, afinal não é qualquer um que se torna a tampa do caixão de Homero.
Saudações literárias,
Thiago Luz
Muito prazer Raphaella Lira!
Não questionei em momento algum seus títulos e fico muito feliz por conhecer suas conquistas, mas fica difícil quando não se encontra o nome do autor (a) do blog, não estava claro a quem eu estava me dirigindo, é quase o mesmo que ligar para alguém e pedir simplesmente para falar com o dono da casa, soa um tanto vazio e sem objetivo, concorda? Para solucionar tal questão bastava apenas seu nome em algum cantinho do seu blog e já estaria resolvido o problema. Jamais tive intenção de sugerir a inclusão de um curriulum, afinal não creio que o objetivo seja montar uma página de busca de emprego.
Para evitar que este se torne um debate cansativo, vou comentar apenas algumas pequenas partes do que você colocou em sua resposta e que julgo realmente valerem algum tipo de argumentação. “Literatura não tem objetivo, literatura é arte”. Quando você diz isso, esqueceu de um sentimento crucial presente, não posso dizer em todos, mas em grande parte dos seres humanos: vaidade. Se crio uma música ou um livro sem qualquer objetivo, por que depois de contemplar meu trabalho pronto, eu simplesmente não o descarto ou o tranco a sete chaves? Talvez porque o artista precise de algum tipo de aprovação da sua obra. O que se torna um prato cheio aos críticos, pois alguns (não digo que é o seu caso) parecem ter prazer em desaprovar o que foi concebido com tanto empenho e dedicação, mas não estamos falando sobre empenho muito menos sobre dedicação.
A arte pela arte, minha cara, é quase uma utopia. O objetivo existe sim, mas concordo que se este fosse revelado perderia a graça ou a magia que precisamos criar em nossas mentes para nos desligar do dia a dia. Imagine descobrir que aquele poema tão espetacular não era para a uma mulher e sim para um cachorro? Seria frustrante. Por menor que você considere o objetivo, ele existiu. Se o autor não quis dizer algo ele poderia ter ido tricotar, ao invés de escrever não acha? Mas enfim na sua opinião tentar descobrir o “que de fato foi dito” é reflexo de uma educação ruim, pra mim nada mais significa do que saber o que realmente estava envolvido por trás daquela criação, uma curiosidade que não creio estar ligada a educação ou falta dela, mas isso é apenas uma opinião minha.
Sobre atitudes Rock N’ Roll, fica impossível definir o que de fato é ter uma atitude Rock N’ Roll. As atitudes Rock N’ Roll que eu conheço são bem inconseqüentes, muitas delas inclusive foram originadas por filhinhos de papai, que se revoltavam com tudo e com todos e com as barreiras que muitas famílias que eram religiosas, colocavam na adolescência de seus filhos, afinal guitarras, baterias e gravar um disco, nem de longe eram tão acessíveis quanto hoje em dia. As atitudes de que falamos, eram realmente mais baseadas em sexo, drogas e rock n’roll. Os tempos mudaram, as drogas estão ai pra quem quiser comprar, o sexo ta mais liberado do que nunca e por ironia do destino o rock n’ roll quase virando peça de museu. Portanto fica difícil comparar as atitudes principalmente da década de 80 com os dias atuais, mas você sabe o por que ainda sim, idolatramos estes filhinhos de papai citados anteriormente? Porque eles faziam o que nós não tínhamos ( e não temos) coragem de fazer. Quebravam tudo, faziam o que era errado, eram presos, tudo que queiramos fazer com o sistema que vivemos, mas assistimos passivamente com um fone de ouvido, gritando palavras de ordem no nosso subconsciente e de noite encostando a cabeça em nosso travesseirinho macio, deitando em nossa cama aconchegante, puxando o cobertor que nos aquece do frio e nos lixando para o mundo lá fora.
Para concluir, gostaria de falar sobre esta frase “aconselho sinceramente que você recorra a um bom dicionário de língua portuguesa, de preferência o Houaiss, e veja as definições dos termos “ético” e “estético”, para assim, quem sabe, conseguir acompanhar o que estou propondo aqui.”
Achei realmente desnecessária a forma com que foi colocada, pareceu realmente que você quis me diminuir na tentativa desesperada de ter razão. Foi quase como um “coloque-se” ao meu nível ou não discuta, e isso pra mim foi lamentável. Acredito que dentro das minhas limitações lingüísticas, estávamos mantendo um nível, uma vez que em nenhum momento tentei me sobrepor a qualquer assunto que eu domine um pouco mais do que você, na tentativa de te levar a nocaute. No fim das contas ficou parecendo que você é a “critica”, que não recebe muito bem as criticas.
Um grande abraço!
Doutoranda em literatura, por favor, corrija o trecho “Confesso que não sou grande fã de música brasileira, mais ainda assim me atrevo a perguntar”. Tá feião…
ass.: Alguém do povo, um Zé Ninguém!
comentário idiota desconsiderado. Próximo!
Mas tá feião mesmo, conserta essa merda!
“Vive a vida do avesso” mesmo!Suas palavras tem um tom amargo de quem não tem somente o dom de criticar;me passou um ar de infelicidade e falta de prazer pessoal.
Não se aborreça é só uma opinião.