Parte da graça de ter um blog é saber que meia dúzia de amigos vai, talvez, perder meia hora pra ler qualquer bobagem que escrevermos.
Whatever…
Confesso que parte da graça de escrever algo aqui é o desejo bizarro de compartilhar uma nova fase da minha vida: mudei de cidade e estou construindo um novo lar.
oh, isso não é lindo?
Bem, é. Confesso que nunca fui tão feliz. Agora, além de espaço pros livros, tenho paz, silêncio, amor, carinho, da hora do café ao jantar.
Sim, claro, mas as agruras da vida a dois existem até para casais perfeitos como nós. Ou deveria dizer que existem para mim, pois eu que sou a parte neurótica. Enfim, estou divergindo…
Quando comecei a encaixotar minhas porcarias, meus 50 pares de sapatos, infinitas bolsas e os 1000 livros, não tinha parado pra pensar em como tudo poderia mudar. Morei a vida inteira em Niterói, no conforto de um apartamento chefiado por uma mãe completamente louca e uma gata cheia de vontades. Como filha única, sempre ocupei todo espaço que podia, não só físico, mas também sentimental. Nas crises mais loucas de TPM, cheguei a acusar minha mãe de dar mais atenção pro gato que pra mim. E isso não foi tudo. Quando ingressei no mestrado, além de alimentar o orgulho da mamãe, resolvi engordar as prateleiras que restavam. Creio que em dois anos e (exatos!) seis meses, dupliquei a quantidade de livros, dvds, papéis e etc. Cheguei a viajar pra Argentina só pra comprar as famigeradas Obras Completas do Borges.
Voltando ao tema real, o que havia de reconfortante na minha casa não era só a familiaridade, a tranquilidade de saber que nada mudava muito com o passar dos dias. Era a impossibilidade da divisão. Sim, mea culpa. Sou egoísta. Ora bolas, como poderia ser diferente? Nunca precisei dividir nada.
Quando comecei a desempacotar minhas tranqueiras (já devidamente selecionadas pelo olhar mais crítico que uma libriana poderia ter, enfim), me dei conta de uma coisa: a partir de agora, não existe mais “eu”. Empilhei uns livros na bancada, olhei em volta, e me dei conta do óbvio mais ululante: deveria dividir o espaço, pensar nas coisas dos dois. Parece idiota, afinal, já tínhamos escolhidos tintas, móveis, tudo, sempre juntos. Só que ter a certeza é muito mais…digamos assim…diferente. E, para a minha própria surpresa, não precisei planejar nada. Portas de armário decidiram que roupas iriam abrigar, livros foram indo pra estante, a poeira foi saindo dos cantinhos. Os dvds se misturaram sozinhos nas prateleiras, sem precisar fazer força.
Digo também que, depois da semana passada, ainda cheguei a me referir à “casa do André”. Ele me emendou, sutil, dizendo que agora era “nossa”. E a ficha foi caindo, devagar. E eu fui, lentamente, não só deixando espaço para ele, mas pensando naquele espaço como algo nosso. Não tem nada para ser dividido. Até a biblioteca agora é dos dois. Meus livros poeirentos e fedorentos também são seus, chéri.
Uma palavra: NHOM! (em caixa alta)